Isaías

O profeta Isaías , teria vivido entre 740 a.C. e 681 a.C. , durante os reinados de Uzias , Jotão , Acaz e Ezequias , sendo contemporâneo à destruição de Samaria pela Assíria e à resistência de Jerusalém ao cerco das tropas de Senaqueribe que sitiou a cidade com um exército de 185 mil assírios em 701 a.C.

Isaías, cujo nome significa Iavé salva ou Iavé é salvalção exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.


O capítulo 6 do livro informa sobre o chamado de Isaías para
tornar-e profeta através de uma visão do trono de Deus no templo,
acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado
até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim
de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz
de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.


Focando em Jerusalém, a profecia de Isaías, em sua primeira metade,
transmite mensagens de punição e juízo para os pecados de Israel, Judá
e das nações vizinhas, tratando de alguns eventos ocorridos durante o
reinado de Ezequias, o que se verifica até o final do caítulo 39.


A outra metade do livro (do capítulo 40 ao final) contém palavras de perdão, conforto e esperança.


Pode-se afirmar que Isaías é o profeta quem mais fala sobre a vinda do Messias ,
descrevendo-o ao mesmo tempo como um servo sofredor que morreria pelos
pecados da humanidade e como um príncipe soberano que governará com
justiça. Por isso, um dos capítulos mais marcantes do livro seria o de
número 53 que menciona o martírio que aguardava o Messias:


"Mas ele foi ferido pelas nossas ,transgressões e moído pelas nosas
iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas
suas pisaduras, fomos sarados". (Is 53:5)


Isaías descreve a terra como circular (Is 40:22), o que gerou
interpretações modernas sobre o significado. Porém, um círculo não é
uma esfera. os católicos acreditavam que a terra era achatada, de
formato redondo.


De acordo com a tradição judaica, Isaías teria sido morto serrado ao meio na época do rei Manassés .



Controvérsias sobre a autoria do livro e sobre sua unidade




   


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De acordo com a teoria da crítica bíblica moderna, foram dois Isaías que escreveram o livro. O Proto-Isaías escreveu os capítulos 1 a 39 do livro de Isaías . Ele admoestava Israel pelas convulsões sociais e pela sua política externa, pronunciou-se contra a ameaça dos Assírios e foi o primeiro a mencionar a espera de um Messias . De acordo com alguns teólogos, os capítulos 24 a 27 e 33 a 39 contêm dados adicionais posteriores.


Os capítulos 40-55 do livro de Isaías foram escritos por um profeta anônimo. A este anónimo costuma chamar-se de Dêutero-Isaías ,
para o distinguir do primeiro. Ele viveu por volta de 550-539 a.C. e
deu a sua consolação ao povo israelita que tinha sido feito prisioneiro
e enviado para a Captividade Babilónica . Falava também num vassalo de Deus que iria trazer o povo de regresso a Israel.


Os capítulos 55-66 do livro de Isaías são tidos por alguns
pesquisadores modernos como acréscimos posteriores ao Dêutero-Isaías,
que por volta de 1900 , acreditou-se ser um terceiro autor (um terceiro Isaías), mas que, de acordo com a teoria, podem ter sido vários.


Porém, a teoria de um único Isaías é aceita por vários estudiosos.


A forma, tão complexa, como o livro de Isaías teve origem, é um saber que parece ter-se perdido já em tempos anteriores ao Cristianismo . Não é de espantar que os famosos pergaminhos de Isaías, encontrados com os outros pergaminhos de Qumram , os quais, segundo os teste de carbono 14 de 1991 e de 1994 , foram produzidos entre os século II e I a.C. e teriam sido escritos como uma unidade.



Mesmo com algumas criticas, a posição tradicional entre os estudiosos é
que o livro de Isaías foi escrito por uma única pessoa entre 740 a 681
a.C.pelos seguintes motivos:



- Nos capítulos nas duas seções existem palavras que atestam sua unidade, como:


  • "o Santo de Israel".
  • "...as vossas mãos estão cheias de sangue." (1:15; 59:3)
  • "...será a coroa de glória e o formoso diadema para os restantes de seu povo." (28:5; 62:3)
  • "...pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo."(35:6; 41:18)


- As mudanças no tema acontecem para preparar o leitor e fazer com que o mesmo entenda a mensagem. Norman Geisler explica:


“Os capítulos 1 a 39 preparam o leitor para as profecias contidas
nos capítulos 40 a 66. Sem esses capítulos preparatórios, a última
seção do livro não faria muito sentido. Os capítulos 1 a 35 advertem
quanto à ameaça de destruição do povo de Deus representada pela
Assíria. Os capítulos 36 a 39 constituem uma transição da seção
anterior para os capítulos 44 a 66, antevendo a invasão de Senaqueribe
(capítulos 36-37) e contemplando o declínio espiritual do passado, que
veio causar a queda de Jerusalém (capítulos 38-39). Esses quatro
capítulos intermediários não se acham em ordem cronológica porque o
autor faz uso deles a fim de preparar o leitor para o que segue.


[...]


Nenhum autor escreve seguindo exatamente um mesmo estilo nem
empregando precisamente o mesmo vocabulário, quando aborda diferentes
assuntos. Entretanto, certas frases são encontradas nas duas seções, o
que atesta a unidade do livro. Por exemplo, o título “o Santo de
Israel”é encontrado doze vezes nos capítulos 1 a 39 e quatorze vezes
nos capítulos 40 a 66. [...] os papiros do mar morto incluem uma cópia
completa do livro de Isaias, e não há interrupção alguma entre os
capítulos 39 e 40. Isso significa que a comunidade de Qumran aceitava a
profecia de Isaias como sendo um único livro, no século II a.C. A
versão grega da Bíblia Hebraica, que também data do século II a.C.,
considera o livro de Isaias como um único livro, escrito por um único
autor, o profeta Isaias” [1]



- Os judeus, que são precisos quanto ao registro histórico, sempre
atribuiram a um única pessoa. Se houvesse mais de um autor para o livro
de Isaías eles fariam da mesma forma que está nos Salmos e nos
Provérbios, por exemplo.



- A acusacão de que o livro foi escrito por mais de uma pessoa parte do
pressuposto de que não existem profecias, não em bases históricas.