Hinduísmo

O Hinduísmo é uma das religiões mais antigas do mundo. Não há um fundador desta religião, ao contrário de tantas outras - no Islamismo, por exemplo, temos Maomé, e no Budismo, o próprio Buda. O Hinduísmo, na verdade, se compõe de toda uma intersecção de valores, filosofias e crenças, derivadas de diferentes povos e culturas.
Para compreender o Hinduísmo, é fundamental situá-lo historicamente. Por volta de 3000 a.C., a Índia era habitada por povos que cultuavam o Pai do Universo, numa espécie de fé monoteísta. Pouco depois, em 2 500 a.C., floresceu a civilização dravídica, no vale do rio Indo, região que hoje corresponde ao Paquistão e parte da Índia. Os drávidas eram adeptos de uma filosofia de louvor à natureza, de orientação matriarcal e baseada no princípio da não-violência. Porém, em 1 500 a.C., os arianos invadiram e dominaram aquela região, reduzindo os antigos drávidas à condição de "párias" - espécie de sub-classe social, que até hoje permanece sendo a casta mais baixa da pirâmide social indiana.
Hinduísmo Védico e Hinduísmo Bramânico
Na primeira fase do Hinduísmo, que recebe o nome de Hinduísmo Védico, temos o culto aos deuses tribais. Dyaus, ou Dyaus-Pitar ("Deus do Céu", em sânscrito), era o deus supremo, consorte da Mãe Terra. Doador da chuva e da fertilidade, ele gerou todos os outros deuses. O Sol (Surya), a Lua (Chandra) e a Aurora (Heos) eram os deuses da luz. Divindades menores e locais são as árvores, as pedras, os rios e o fogo. A partir da influência ariana, o simbolismo de Dyeus passou por uma transformação e tornou-se Indra, jovem divindade que rege a guerra, a fertilidade e o firmamento. Indra representa os aspectos benevolentes da tempestade, em contraposição a Rudra, provável precursor do deus Shiva, o destruidor. Também nesse período surgiram diversas outras divindades, inclusive Asura, representante das forças maléficas.
Na segunda fase do Hinduísmo, que recebe os nomes de Vedanta (fim dos Vedas) ou Hinduísmo Bramânico, ocorre a ascensão de Brahma, a divindade que simboliza a alma universal. Brahma é um dos deuses que compõem o Trimurti (Trindade) do Hinduísmo. Ele representa a força criadora. Os dois outros deuses são Vishnu, o preservador, e Shiva, o destruidor. Neste momento, surge a figura dos brâmanes, que compõem a casta sacerdotal da tradição hindu. Os rituais ganham uma série de componentes mágicos e elaboram-se idéias mais complexas acerca do Universo e da alma, inclusive conceitos como o de reencarnação e o de transmigração de almas.
Mais História - A terceira fase
No século 12, a Índia é invadida pelos muçulmanos, e grande parte de sua população é forçada à conversão. Aliás, o termo hindu designava qualquer pessoa nascida na Índia, mas a partir do século 13 este termo ganhou uma conotação religiosa, tornando-se sinônimo de "nativo não-convertido ao Islamismo".
A influência muçulmana se faz sentir dentro da ritualística hindu, pois uma das características marcantes do Hinduísmo é sua capacidade de absorver novos elementos e agregá-los ao seu sistema de crenças. Isso também ocorre quando, no século 18, o Cristianismo se insere no universo indiano, pela influência predominante dos colonizadores franceses.
Este Hinduísmo híbrido também se divide em várias correntes, cujos expoentes são gurus como Sri Ramakrishna (1834-86), Vivekananda (1863-1902) e Sri Aurobindo (1872-1950). O que essas correntes têm em comum é a preocupação em estender o trabalho espiritual ao âmbito social, por meio de trabalhos filantrópicos e assistenciais.
Por força dessa nova fase, a própria organização social da Índia - em sistema de castas -, começa a perder o sentido, pois existe um clamor ético por igualdade e solidariedade. O maior mestre do Hinduísmo moderno é Mahatma Gandhi (1869-1948), conhecido no Ocidente como chefe político, mas venerado na Índia como guru espiritual. Gandhi, adepto da Ahimsa (o princípio da não-violência), apregoava a importância do homem exercer perfeito controle sobre si mesmo.
Hoje, o Hinduísmo é a crença predominante na Índia. Mais do que uma religião, ele se caracteriza como uma tradição cultural, que engloba modo de viver, ordem social, princípios éticos e filosóficos.
As Escrituras Sagradas
VEDAS: Primeiros livros do Hinduísmo, surgidos aproximadamente no ano de 1 000 a.C., que aglutinam quatro coletâneas de textos. Dentre eles, destaca-se o Mahabharata, que contém o poema épico Bhagavad Gita (A Canção do Senhor). O conteúdo dos Vedas oscila entre o Monoteísmo (culto a um deus único) e o Politeísmo (culto a diversos deuses).
UPANISHADS: Essas escrituras, que podem ser traduzidas como Doutrinas Arcanas, foram redigidas por místicos que representam o expoente máximo do Bramanismo (uma das vertentes do Hinduísmo). Sua estrutura é a de uma série de diálogos entre mestres e discípulos, cujo ensinamento fundamental é o seguinte: o mundo em que vivemos é feito de maya (ilusão), e embora possamos ter a impressão de que o mundo é real, a única verdade é Brahma, a divindade suprema.
Fundamentos importantes
    * Para o Hinduísmo, as pessoas possuem um espírito (atman), que é uma força perene e indestrutível. A trajetória desse espírito depende das nossas ações, pois a toda ação corresponde uma reação - Lei do Carma.
    * Enquanto não atingimos a libertação final - chama de moksha -, passamos continuamente por mortes e renascimentos. Este ciclo é denominado Roda de Samsara, da qual só saímos após atingirmos a Iluminação.
    * Os rituais se compõem de dois elementos principais: Darshan, que é a meditação / contemplação da divindade, e o Puja (oferenda).
    * A alimentação vegetariana é um dos pontos essenciais da filosofia hindu. Isso porque é livre da impureza (morte / sangue), e como todo alimento deve ser antes oferecido aos deuses, não se poderia ofertar algo que fosse "sujo".
    * As preces são entoadas como cânticos no idioma sânscrito, língua "morta" que deu origem ao hindi e a um grande número de dialetos praticados na Índia. Essas preces recebem o nome de mantras. Os mantras são dirigidos a diversas divindades, ou estimulam qualidades pessoais. Em geral, são entoados 108 vezes, e para sua contagem utiliza-se o japa-mala (colar de contas), uma espécie de "rosário", confeccionado em sândalo ou com sementes de rudraksha (árvores consideradas altamente auspiciosas pela tradição indiana).
    * O mantra mais importante é o OM, "sílaba sagrada" que representa o próprio nome de Deus. OM é a semente de todos os mantras e princípio da criação. Foi dele que derivou toda a matéria - neste aspecto, podemos até traçar um paralelo com o gênesis da Bíblia: "E o som se fez carne".

Shiva, a divindade mais popular da Índia
Shiva é a divindade que representa o princípio masculino. É o deus da morte, da destruição e das transformações profundas. Sua atuação é fundamental, porque do caos que ele promove, é que se faz a nova vida.
Em geral, é mostrado em movimento de dança, no meio de uma roda de Fogo, elemento da natureza ao qual ele está associado. Sua dança, denominada Tandava, simboliza o eterno movimento do universo. Com o pé direito, ele esmaga a cabeça de uma figura bestial - a ignorância - e com o pé esquerdo ele faz um movimento ascendente, indicando a liberação espiritual.
Na Índia, é comum encontrarmos os saddhus - homens "santos", que renunciam ao mundo e vagueiam em busca de sabedoria e iluminação. Devotos de Shiva, os saddhus costumam andar seminus, têm os cabelos bastante compridos e emaranhados e dedicam-se à prática da ioga, que seria uma expressão da dança de Shiva.
O princípio feminino da criação é Shakti, que se manifesta como Parvati (a mãe), Durga (a deusa da beleza), Lakshmi (senhora da arte e da criatividade) e Kali (senhora da destruição). Todas elas são esposas de Shiva.
Ganesha é representado como um ser com corpo de homem e cabeça de elefante. De acordo com um dos mitos associados a esta divindade, Parvati tirou uma de suas próprias costelas e com ela fez um filho, a quem encarregou de guardar seus aposentos. Quando seu marido Shiva chegou e encontrou aquele homem nas proximidades o quarto da esposa, matou-o e arrancou-lhe a cabeça.
Diante da tragédia, Parvati exigiu que o marido devolvesse a vida a Ganesha. Então, Shiva prometeu que colocaria em Ganesha a cabeça da primeira criatura viva que aparecesse em seu caminho - e foi justamente um elefante.
Ganesha é protetor dos comerciantes e também dos sábios e escritores. Seus atributos são a prosperidade, a inteligência, o intelecto e a capacidade de superar obstáculos. Também simboliza a união entre o masculino e o feminino (ou os princípios Shiva e Shakti), pois sua tromba é uma forma fálica, e a boca é a forma receptora.
O culto a Krishna é um capítulo à parte na religiosidade hindu. Na verdade, o Movimento para a Consciência de Krishna, ou simplesmente Hare Krishna, como é mais conhecido no Brasil, é uma doutrina de alcance internacional, porém de pouca penetração na comunidade indiana.
O hinduísmo é uma tradição religiosa [1] que se originou no subcontinente indiano . O hinduísmo é frequentemente chamado de Sanātana Dharma (सनातन धर्म) por seus praticantes, uma frase em sânscrito que significa "a eterna dharma ( lei )" [2]

Num sentido mais abrangente, o hinduísmo abrange o bramanismo , a crença na "Alma Universal", Brâman ; num sentido mais específico, o termo se refere ao mundo cultural e religioso, ordenado por castas , da Índia pós- budista . [3] Entre as suas raízes está a religião védica da Idade do Ferro na Índia .


O hinduísmo é citado frequentemente como a " mais antiga tradição religiosa " dentre os principais grupos religiosos do mundo, [4] [5] ou como a "mais antiga das principais tradições existentes". [6] [7] [8] É formado por diferentes tradições e composto por diversos tipos, e não possui um fundador. [9] Estes tipos, sub-tradições e denominações , quando somadas, fazem do hinduísmo a terceira maior religião, depois do cristianismo e do islamismo , com aproximadamente um bilhão de fiéis, dos quais cerca de 905 milhões vivem na Índia e no Nepal . [10] Outros países com populações significativas de hinduístas são Bangladesh , Sri Lanka , Paquistão , Malásia , Singapura , ilhas Maurício , Fiji , Suriname , Guiana , Trinidad e Tobago , Reino Unido , Canadá e Estados Unidos .


O vaso corpo de escrituras do hinduísmo se divide em shruti ("revelado") e smriti ("lembrado"). Estas escrituras discutem a teologia , filosofia e a mitologia hinduísta, e fornecem informações sobre a prática do dharma (vida religiosa). Entre estes textos os Vedas e os Upanixades possuem a primazia na autoridade, importância e antiguidade. Outras escrituras importantes são os Tantras , os Ágamas , sectários, e os Puranas ( AFI : [Purāṇas]), além dos épicos Maabárata ( AFI : [Mahābhārata]) e Ramáiana ( AFI : [Rāmāyaṇa]). O Bagavadguitá ( AFI : [Bhagavad Gītā]), um tratado do Maabárata, narrado pelo deus Críxena (Krishna), costuma ser definido como um sumário dos ensinamentos espirituais dos Vedas. [11]


Os hindus acreditam num espírito supremo cósmico ,
que é adorado de muitas formas, representado por divindades
individuais. O hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que
são vistos como meios de ajudar o indivíduo a experimentar a divindade
que está em todas as partes, e realizar a verdadeira natureza de seu
Ser.


A teologia hinduísta se fundamenta no culto aos avatares (manifestações corporais) da divindade suprema, Brâman . Particular destaque é dado à Trimurti - uma trindade constituída por Brama (Brahma), Xiva (Shiva) e Vixnu (Vishnu). Tradicionalmente o culto direto aos membros da Trimurti
é relativamente raro - em vez disso, costumam-se cultuar avatares mais
específicos e mais próximos da realidade cultural e psicológica dos
praticantes, como por exemplo Críxena (Krishna), avatar de Vixnu e personagem central do Bagavadguitá.






Templo hinduísta em Mysore , Índia .




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Etimologia

Hindū é o nome em persa do rio Indo , encontrado pela primeira vez na palavra Hindu (həndu) do persa antigo , correspondente ao sânscrito védico Sindhu. [12] O Rigveda chama a terra dos indo-arianos como Sapta Sindhu (a terra dos sete rios no noroeste da Ásia Meridional , um deles o Indo), que corresponde ao Hapta Həndu no Avesta (Vendidad or Videvdad, 1.18), escritura sagrada do zoroastrianismo . O termo foi utilizado para designar aqueles que viviam no subcontinente indiano , ou para além do "Sindhu". [13]


O termo persa ( persa médio Hindūk, persa moderno Hindū) entrou na Índia pelo Sultanato de Délhi e aparece nos textos do sul da Índia, bem como da Caxemira , a partir de 1323 d.C. [14] , e a partir daí é cada vez mais utilizado, especialmente durante o Raj britânico . Desde o fim do século XVIII a palavra passou a ser usada no Ocidente como um termo que abrange a maioria das tradições religiosas , espirituais e culturais do subcontinente, com a exceção do sikhismo , budismo e jainismo , religiões distintas. [15]



Divisões

O hinduísmo contemporâneo pode ser subdividido em diversas correntes principais. Dos seis darshanas ou divisões históricas originais, apenas duas escolas , a vedanta e a ioga , sobrevivem. As principais divisões do hinduísmo hoje em dia são o vixnuísmo , o xivaísmo , o smartismo e shaktismo .
A imensa maioria dos hindus atuais podem ser categorizados sob um
destes quatro grupos, embora ainda existam outros, cujas denominações e
filiações variam imensamente.


Alguns estudiosos dividem as correntes do hinduísmo moderno em seus "tipos": [16]


  • Hinduísmo popular , baseado nas tradições locais e nos cultos das divindades tutelares , praticado em nível mais localizado;
  • Hinduísmo dármico ou "moral diária", baseado na noção de carma , na astrologia , nas normas de sociedade como o sistema de castas , os costumes de casamentos .
  • Hinduísmo vedanta , especialmente o Advaita ( smartismo ), baseado nos Upanixades e nos Puranas ;
  • Bhakti , ou "devocionalismo", especialmente o vixnuísmo ;
  • Hinduísmo bramânico védico , tal como é praticado pelos brâmanes tradicionalistas, especialmente os shrautins ;
  • Hinduísmo iogue , baseado especialmente nos Yoga Sutras de Patandjáli .


Crenças




Temple carving at Hoysaleswara temple representing the Trimurti : Brahma , Shiva and Vishnu .


O hinduísmo é uma corrente religiosa que evoluiu organicamente através dum grande território marcado por uma diversidade étnica e cultural
significativa. Esta corrente evoluiu tanto através da inovação interior
quanto pela assimilação de tradições ou cultos externos ao próprio
hinduísmo. O resultado foi uma variedade enorme de tradições
religiosas, que vai de cultos pequenos e pouco sofisticados os
principais movimentos da religião, que contam com milhões de aderentes
espalhados por todo o subcontinente indiano e outras regiões do mundo.
A identificação do hinduísmo como uma religião independente, separada
do budismo e do jainismo , depende muitas vezes da afirmação dos próprios fiéis de que ela o é. [17]


Temas proeminentes nas (porém não restritos às) crenças hinduístas incluem o darma (dharma, ética hindu), samsara (samsāra, o contínuo ciclo do nascimento, morte e renascimento), carma (karma, ação e consequente reação), mocsa (moksha, libertação do samsara), e as diversas iogas (caminhos ou práticas).


O hinduísmo repousa sobre o fundamento espiritual dos Vedas , conjunto de escritos religiosos, sendo por isso mesmo conhecido como o Dharma Veda, além dos escritos meditativos destes, os Upanixades , e os ensinamentos de diversos gurus que viveram ao longo dos tempos.



O Caminho eterno




Mandala de Vixnu , divindade do hinduísmo .


"O caminho eterno" (em sânscrito सनातन धर्म, Sanātana Dharma),
ou a "Filosofia perene/Harmonia/Fé", é o nome que tem sido usado para
representar o Hinduísmo desde a antiguidade. De acordo com os Hindus,
transmite a idéia de que certos princípios espirituais são
intrínsecamente verdadeiros e eternos, transcendendo as ações humanas,
representando uma ciência pura da consciência .
Mas essa consciência não é meramente aquela do corpo, da mente ou do
intelecto, mas a de um estado de espírito supramental que existe dentro
e além de nossa existência, o imaculado Ser de tudo. A religião
dos Hindus é a busca inata pelo divino dentro do Ser, a busca por
encontrar a Verdade que nunca foi perdida de fato. Verdade buscada com
fé que poderá tornar-se reconfortante luminosidade independente da raça
ou do credo professado. Na verdade, toda forma de existência, dos
vegetais e animais até o homem, são sujeitos e objetos do eterno
Dharma. Essa fé inata, então, é também conhecida por Arya/Dharma Nobre, Veda/Dharma do Conhecimento, Yoga/Dharma da União, e Dharma Hindu ou simplesmente Dharma.


O que pode ser compreendido como uma crença comum a todos os hindus são o Dharma, a reencarnação , o karma , e a moksha (liberação) de cada alma através de variadas ações de cunho moral e da meditação yoga . Entre os princípios fundamentais incluem-se ainda o ahimsa (não-violência), com a primazia do Guru , a palavra divina Aum e o poder do mantra , amor à verdade em muitas manifestações como Deus e Deusas, e a compreensão de que a chama divina essencial ( Atman / Brahman ) está presente em cada ser humano e em todas as criaturas viventes, que podem chegar por diversas sendas à Verdade Una.



Ioga

Um dos pontos de vista (darshanas) do hinduísmo é a ioga (yoga), que significa "união", no sentido de "integração". Trata-se de uma filosofia prática surgida há mais de 5.000 anos,[ carece de fontes ?] e os Upanixades são o mais antigo registro escrito desta cultura.


No século III a.C. a ioga foi clássificado por Patandjali , em sua célebre obra Yoga Sutra.



Os quatro objetivos na vida do hindu

Outro maior aspecto do Dharma Hindu que é uma prática comum de todos os Hindus é o purushartha, ou "quatro objetivos da vida". Eles são kama, artha, dharma e moksha. É dito que todos os homens seguem o kama (prazer, físico ou emocional) e artha (poder, fama e riqueza), mas brevemente, com maturidade, eles aprendem a controlar estes desejos, com o dharma, ou a harmonia moral presente em toda a natureza. O objetivo maior é infinito, cujo resultado é a absoluta felicidade, moksha, ou liberação (também conhecida como Mukti , Samadhi , Nirvana , etc.) do Samsara , o ciclo da vida, morte, e da existência dual.



Os quatro estágios da vida humana

A vida humana também é vista como quatro Ashramas ("fases"ou “estágios"). Eles são Brahmacharya , Grihasthya , Vanaprastha e Sanyasa . O primeiro quarto da vida, brahmacharya
(literalmente "pastar em Brahma") é passado em celibato, sobriedade e
pura contemplação dos segredos da vida sob os cuidados de um Guru, solidificando o corpo e a mente para as responsabilidades da vida. Grihastya é o estágio do chefe de família, alternativamente conhecido como Samsara, no qual o indivíduo se casa para satisfazer kama e artha na vida conjugal e em uma carreira profissional. Vanaprastha
é o gradual desapego do mundo material, ostensivamente entregando seus
deveres aos filhos e filhas, e passando mais tempo em contemplação da
verdade, e em peregrinações santas. Finalmente, no Sanyasa, o
indivíduo vai para reclusão, geralmente em uma floresta, para encontrar
Deus através da meditação Yogica e pacificamente libertar-se de seu
corpo para uma próxima vida.






Om (ou Aum ) é o mais importante símbolo religioso do hinduísmo, e significa o Espírito Cósmico.



Origens, nomenclatura e sociedade


Origens históricas e aspectos sociais

Pouco é conhecido sobre a origem do hinduísmo, já que sua existência antecede os registros históricos . É dito que o Hinduísmo deriva das crenças dos arianos , que residiam nos continentes sub-indianos, (`nobres` seguidores dos Vedas), dravidianos , e harapanos . Alguns dizem que o hinduísmo nasceu com o budismo e o jainismo, mas Heinrich Zimmer e outros indólogos afirmam que o jainismo é muito anterior ao hinduísmo, e que o budismo deriva deste e do Sankhya
que em conseqüência afetaram o desenvolvimento de sua religião mãe.
Diversas são as idéias sobre as origens dos Vedas e a compreensão se os
arianos eram ou não nativos ou estrangeiros na Índia. A existência do
Hinduísmo data de 4000 a 6000 mil anos a.C..


É preciso salientar que há, atualmente, dúvidas entre os estudiosos
sobre ter ou não havido uma invasão ariana na Índia. Questiona-se sobre
a miscigenação lenta, em lugar de invasão violenta, com os dravidianos
e outros povos de origem autóctone e mesmo mediterrânea, existentes na
região antes da chegada dos pastores-guerreiros vindos da Europa . Isto coloca em questão também a origem do hinduísmo. Como reforço a esta hipótese, a análise dos Rig Vedas mais antigos (cerca de 1500 a.C. )
mostra uma série de fórmulas mágicas de propriedade de famílias no
poder, sem qualquer indicação das práticas de yoga que acompanham a
filosofia Sankhya, e que são documentadas em selos de cerca de 2500 a.C. .


Historicamente, a palavra hindu antecende o hinduísmo como religião; o termo é de origem persa e primeiramente referia-se ao povo que residia no outro lado (do ponto de vista persa) do Sindhu ou rio Indo . Foi utilizado para expressar não somente a etnicidade mas a religião védica desde o século XV e XVI , por personalidades como Guru Nanak (fundador do sikhismo ). Durante o Império Britânico ,
a utilização do termo tornou-se comum, e eventualmente, a religião dos
hindus védicos foi denominada "hinduísmo". Na verdade, foi meramente
uma nova vestimenta para uma cultura que vinha prosperando desde a mais
remota antiguidade.



Distribuição geográfica atual

A Índia, a ilhas Maurício , e o Nepal assim como a ilha indonésia de Bali têm como religião predominante o hinduísmo; importantes minorias hindus existem em Bangladesh (11 milhões), Myanmar (7,1 milhões), Sri Lanka (2.5 milhões), Estados Unidos (2,5 milhões), Paquistão (4,3 milhões), África do Sul (1,2 milhões), Reino Unido (1,5 milhão), Malásia (1,1 milhão), Canadá (1 milhão), Ilhas Fiji (500 mil), Trinidad e Tobago (500 mil), Guiana (400 mil), Holanda (400 mil), Cingapura (300 mil) e Suriname (200 mil).



Filosofia hindu: as seis escolas védicas de pensamento

As seis escolas filosóficas ortodoxas hindu ( Astika , que aceitam a autoridade dos Vedas) são Nyaya , Vaisheshika , Sankhya , Yoga , Purva Mimamsa - também denominadas Mimamsa -, Uttara Mimamsa e Vedanta . As escolas não-védicas são denominadas Nastika , ou heterodoxas, e referem-se ao budismo, jainismo e Lokayata . As escolas que continuam a influênciar o hinduísmo hoje são Purva Mimamsa, Yoga, e Vedanta.



Purva Mimamsa

O principal objetivo do Purva ("cedo") ou da escola Mimamsa era estabelecer a autoridade dos Vedas.
Consequentemente a valiosa contribuição desta escola ao Hinduísmo foi a
formulação das regras da interpretação Védica. Seus aderentes
acreditavam que a revelação deveria ser provada através da razão, e não
aceita como um dogma cego. Este método empírico e eminentemente
sensível de aplicação religiosa é a chave para Sanatana Dharma e foi especialmente desenvolvido por racionalistas como Sankaracharya e Swami Vivekananda . Para aprofundar-se mais neste tema veja Purva Mimamsa.



Yoga

Ver artigo principal: Ioga

O sistema da Yoga ( ioga , em português ) é geralmente considerado como tendo surgido a partir da filosofia Sankhya. Entretanto a yoga referida aqui, é especialmente a Raja Yoga (ou união através da meditação). E é baseada em um texto (que exerceu grande influéncia) de Patandjali intitulado Yoga Sutras ,
e é essencialmente uma compilação e sistematização da filosofia da Yoga
meditacional. Os Upanixades e o Bagavadguitá também são textos
indispensáveis ao estudo da ioga.


A filosofia Sankhya é anterior ao bramanismo, filosofia que deu origem ao hinduísmo, como coloca o indólogo Heinrich Zimmer em seu clássico Filosofias da Índia. Patandjali, monge do sul da Índia, onde até hoje a tradição tamil preserva elementos das filosofias pré-védicas, tinha formação no sistema Sankhya-yoga, indissociável. O Sankhya foi compilado bem antes de Patandjali (que viveu no século II a.C. , por Kapila , que viveu pouco tempo antes de Buda . Uma diferença importante entre o Sankhya e o bramanismo é que o primeiro é dualista , e o segundo monista , mas ambos vêem o espírito, ou Deus, como imanente e transcendente ao mesmo tempo.


A diferença mais significante do Sankhya é que a escola de yoga não somente incorpora o conceito do Ishvara (ou "Deus pessoal") numa visão do mundo metafísica mas também sustenta Ishvara como um ideal sobre o qual meditar. A razão é que Ishvara é o único aspecto de purusha (do infinito Terreno Divino) que não foi mesclado com prakrti (forças criativas temporárias). Também utiliza as terminologias Brahman/Atman e conceitos profundos dos Upanixades, adotando uma visão vedântica monista. A realização do objetivo da ioga é conhecido como moksha ou samadhi. E como nos Upanixades, busca, o despertar ou a compreensão de Atman
como sendo nada mais que o infinito brâmane, através da (mente) ética,
(corpo) físico meditação (alma) o único alvo de suas práticas é a
"verdade suprema".



Uttara Mimamsa: As Três Escolas de Vedanta

A Escola Uttara ("tarde") Mimamsa
é talvez a pedra angular dos movimentos do hinduísmo, e certamente foi
responsável por uma nova onda de investigação filosófica e meditativa,
renovação da fé, e reformas culturais. Primeiramente associada com os
Upanixades e seus comentários por Badarayana , e Vedanta Sutra , o pensamento vedanta dividiu-se em três grupos, iniciados pelo pensamento e escrita de Sankaracharya .
A maioria da atual filosofia hindu, está relacionada a mudanças que
foram influenciadas pelo pensamento vedanta, o qual é focalizado na
meditação, moralidade e centralização no Eu uno ao invés de rituais ou
distinções sociais insignificantes como as castas .



Puro monismo: Advaita Vedanta

Advaita literalmente significa "não dois"; isto é o que referimos como monoteístico , ou sistema não-dualístico, que enfatiza a unidade. Seu consolidador foi Shankaracharya ( 788 - 820 ). Shankara expos suas teorias baseadas amplamente nos ensinamentos dos Upanixades e de seu guru Gaudapada .
Através da analise da consciência experimental, ele expos a natureza
relativa do mundo e estabeleceu a realidade não dual ou Brahman no qual
Atman (a alma individual) ou Brahman (a realidade última)
são absolutamente identificadas. Não é meramente uma filosofia, mas um
sistema consciente de éticas aplicadas e meditação, direcionadas a
obténção da paz e compreensão da verdade. Sankaracharya acusou as castas
e rituais como tolos, e em sua própria maneira carismática, suplicou
aos verdadeiros devotos a meditarem no amor de Deus e alcançarem a
verdade.



Monismo qualificado: Vishistadvaita Vedanta

Ramanuja ( 1040 - 1137 ) foi o principal proponente do conceito de Sriman Narayana como Brahman o supremo. Ele ensinou que a realidade última possui três aspectos: Ishvara ( Vixnu ), cit (" alma ") e acit (" matéria ").
Vixnu é a única realidade independente, enquanto alma e material são
dependentes de Deus para sua existência. Devido a esta qualificação da
realidade últimA, o sistema de Ramanuja é conhecido como não dualístico.



Dualismo: Dvaita Vedanta

Madhva ( 1199 - 1278 )
identificou deus com Vishnu, mas a sua visão da realidade era puramente
dualista, pois ele compreendeu uma diferenciação fundamental entre o
Deus supremo e a alma individual, e o sistema consequentemente foi
denominado Dvaita (dualístico) Vedanta.



Culturas Alternativas de Adoração


As Escolas Bhakti

A Escola Devocional Bhakti tem seu nome derivado do termo
hindu que evoca a idéia de "amor prazeroso, abnegado e estupefante de
Deus como Pai, Mãe, Filho Amados", ou qualquer outra forma de
relacionamento que encontre apelo no coração do devoto. A filosofia de Bhakti
procura usufruto pleno da divindade universal através da forma pessoal,
o que explica a proliferação de tantas divindades na Índia,
freqüentemente refletindo as inclinações particulares de pequenas áreas
ou grupos de pessoas. Vista como uma forma de Yoga ou união, ele
preconiza a necessidade de se dissolver o ego
em Deus, na medida em que a consciência do corpo e a mente limitada,
como individualidade, seriam fatores contrários à realização
espiritual. Essencialmente, é Deus que promove toda mudança, que é a
fonte de todos os trabalhos, que a idade através do amor e da luz.
`Sins` e mal - fazendo da devoto são mencionado cair embora da sua
próprio acorde , o entusiasta enrugar limitedness já transcendido ,
através do amor de Deus. Os movimentos Bhakti rejuvenesceram o
Hinduísmo ao longo da sua intensa expressão de fé e receptividade às
necessidades emocionais e filosóficas da Índia. Pode-se dizer
corretamente que influenciaram a maior onda de mudança em orações e
rituais hindus desde tempos remotos.


A mais popular forma de expressão de amor a Deus na tradição hindu é através do puja , ou ritual de devoção, frequentemente utilizando o auxílio de murti (estátua) juntamente com canções ou recitação de orações meditacionais em forma de mantras. Canções devocionais denominadas bhajan (escritas primeiramente nos séculos XIV-XVII), kirtan (elogio), e arti (uma forma filtrada do ritual de fogo Védico) são algumas vezes cantados juntamente com a realização do puja.
Este sistema orgânico de devoção tenta auxiliar o indivíduo a
conectar-se com Deus através de meios simbolicos. Entretanto, é dito
que bhakta, através de uma crescente conexão com Deus, é
eventualmente capaz de evitar todas as formas externas e é inteiramente
imerso na bênção do indiferenciado amor a Verdade.



Tantrismo

A palavra tantra
significa "tratado" ou "série continua", e é aplicada a uma variedade
de trabalhos místicos, ocultos, médicos e científicos bem como aqueles
que agora nos consideramos como "tântricos". A maioria dos tantras foram escritos no final da Idade Média e surgiram da cosmologia hindu.



Temas e simbolismos importantes no hinduismo


Ahimsa e as vacas

É vital uma nota sobre o elemento ahimsa
no hinduísmo para compreender a sociedade que se formou à volta de
alguns dos seus princípios. Enquanto o jainismo, à medida que era
praticado, era certamente uma grande influência sobre a sociedade
indiana - que dizer da sua exortação do estrito veganismo e da não-violência como ahimsa
- o termo primeiro apareceu nos Upanixades. Assim, uma influência
internamente enraizada e externamente motivada levou ao desenvolvimento
de uma grande quantidade de hindus que acabaram por abraçar o vegetarianismo
numa tentativa de respeitar formas superiores de vida, restringindo a
sua dieta a plantas e vegetais. Cerca de 30% da população hindu actual,
especialmente em comunidades ortodoxas no sul da Índia, em alguns
estados do norte como o Guzerate
e em vários enclaves brâmanes à volta do subcontinente, é vegetariana.
Portanto, enquanto o vegetarianismo não é um dogma, é recomendado como
sendo um estilo de vida sátvico (purificador).


Os hindus abstêm-se predominantemente de carne ,
e alguns até vão tão longe quanto evitar produtos de pele. Isto
acontece provavelmente porque o largamente pastoral povo Védico e as
subsequentes gerações de hindus ao longo dos séculos dependiam tanto da
vaca
para todo o tipo de produtos lácteos, aragem dos campos e combustível
para fertilizante, que o seu estatuto de "cuidadora" espontânea da
humanidade cresceu ao ponto de ser identificada como uma figura quase
maternal. Assim, enquanto a maioria dos hindus não adora a vaca, e as
instruções escriturais contra o consumo de carne surgiram muito depois
dos Vedas terem sido escritos, esta ainda ocupa um lugar de honra na
sociedade hindu. Diz-se que Krishna é tanto Govinda (pastor de vacas) como Gopala (protector de vacas), e que o assistente de Xiva é Nandi ,
o touro. Com a força no vegetarianismo (que é habitualmente seguido em
dias religiosos ou ocasiões especiais até por hindus comedores de
carne) e a natureza sagrada da vaca, não admira que a maior parte das
cidades santas e áreas na Índia tenham uma proibição sobre a venda de
produtos de carne e haja um movimento entre os Hindus para banir a
matança de vacas não só em regiões específicas como em toda a Índia.



Formas de Adoração: murtis e mantras

Contrário a crença popular, o hinduísmo prático não é politeístico nem estritamente monoteístico . A variedade de deuses e avatares
que são adorados pelos hindus são compreendidos como diferentes formas
da Verdade Única, algumas vezes vistos como mais do que um mero Deus e
um último terreno Divino (Brahman), relacionado mas não limitado ao monismo , ou um princípio monoteístico como Vixnu ou Xiva.


Acreditando na origem única como sem forma ( nirguna brahman , sem atributos) ou como um Deus pessoal ( saguna Brahman ,
com atributos), os Hindus compreendem que a verdade única pode ser
vista de forma variada por pessoas diferentes. O Hinduísmo encoraja
seus devotos a descreverem e desenvolverem um relacionamento pessoal
com sua deidade pessoal escolhida ( ishta devata ) na forma de Deus ou Deusa.


Enquanto alguns censos sustentam que os adoradores de uma forma ou outra de Vishnu (conhecido como Vaishnavs ) são 80% dos Hindus e aqueles de Shiva (chamados Shaivaites )
e Shakti compõem o restante dos 20%, tais estatísticas provavelmente
são enganadoras. A maioria dos Hindus adoram muitos deuses como
expressões variadas do mesmo prisma da Verdade. Entre os mais populares
estão Vishnu (como Krishna ou Rama ), Shiva, Devi (a Mãe de muitas deidades femininas, como Lakshmi , Sarasvati , Kali e Durga ), Ganesha , Skanda e Hanuman .


A adoração das deidades é geralmente expressa através de fotografias ou imagens ( murti )
que são ditas não serem o próprio Deus mas condutos para a consciência
dos devotos, marcas para a alma humana que significam a inefável e
ilimitada natureza do amor e grandiosidade de Deus. Eles são símbolos
do príncipio maior, representado mas nunca presumido ser o conceito da
própria entidade. Conseqüentemente, a maneira hindu de adoração de
imagens as toma apenas como símbolos da divindade, opostos à idolatria , geralmente imposta (erroneamente) aos hindus.



Mantra

Recitação e mantras originaram-se no hinduismo e são técnicas fundamentais praticadas até os dias de hoje. Muito da chamada Mantra Yoga, é realizada através de japa ("repetições"). Dizem que os mantras, através de seus significados, sons e recitação melódica, auxíliam o sadhaka
(aquele que prática) na obtenção de concentração durante a meditação.
Eles também são utilizados como uma expressão de amor a deidade, uma
outra faceta da Bhakti Yoga necessária para a compreensão de murti .
Frequentemente eles oferecem coragem em momentos dificeis e são
utilizados para a obtenção de auxílio ou para `invocar` a força
espiritual interior. As ultimas palavras de Mahatma Gandhi enquanto morria foi um mantra ao Senhor Rama: " Hey Ram !"


O mais representativo de todos os mantras Hindu é o famoso Gayatri Mantra :


ॐ भूर्भुवस्व: | तत् सवितूर्वरेण्यम् | भर्गो देवस्य धीमहि | धियो यो न: प्रचोदयात्
Aum bhūrbhuvasvah | tat savitūrvareṇyam | bhargo devasya dhīmahi | dhiyo yo naha pracodayāt

Significa, literalmente: "Om! Terra, Universo, Galáxias (invocação aos três mundos). Que nós alcancemos a excelente glória de Savitr, o Deus. Que ele estimule os nossos pensamentos/meditações."


O mantra Gayatri é considerado o mais universal de todos os mantras hindus, e invoca o Brâman
universal como um princípio de conhecimento e iluminação do sol
primordial, mas somente em seu aspecto feminino. Muitos hindus até os
dias de hoje, seguindo uma tradição que permanece viva por pelo menos
5.000 anos, realizam abluções matinais às margens do rio sagrado
(especialmente do rio Ganges . Conhecido como um mantra sagrado, é reverenciado como sendo a forma mais condensada do "Conhecimento Divino" ( Veda ). E governado pelo principio, Ma ("Mãe") Gayatri, também conhecido como Veda Mata ("mãe dos Vedas") e intimamente associado à deusa do aprendizado e iluminação, Sarasvati .


O maior objetivo da religião védica é alcançar moksha, ou liberação, através da constante dedicação a Satya (Verdade) e uma eventual realização de Atman
(Alma Universal). Não importa se atingido através de meditação ou puro
amor, este objetivo universal é alcançado por todos. Deve ser observado
que o Hinduísmo é uma fé prática, e é incorporado em cada aspecto da
vida. Acredita igualmente no temporal e no infinito, e somente encoraja
perspectivas destes principios. Os grandes rishis (sábios, considerados espécies de santos hindus) e também denominados como samsárico (aquele que vive no samsara, i.e. plano temporal ou terrestre) aquele que segue um meio de vida honesto e amável (dhármico) é um jivanmukta (alma vivente liberta). As verdades fundamentais do hinduísmo são melhores compreendidas na frase dos Upanixades, Tat Twam Asi (Assim És Tu), e na última aspiração como segue:


Aum Asato ma sad gamaya, tamaso ma jyotir gamaya, mrityor ma aamritaam gamaya

"Aum Conduza-me da ignorância para a verdade, das trevas para a luz, da morte para a imortalidade."


Escrituras sagradas do hinduísmo

Muita da morfologia e filosofia lingüística inerente ao aprendizado do sânscrito
está associada ao estudo dos Vedas e outros relevantes textos Hindus.
Os textos hindus apresentam diversos níveis de leitura: físico
material, sutil ou supernatural. Engloba vários níveis de interpretação
e compreensão. As escrituras hindus são divididas em duas categorias:


  1. Shruti - aquela que se escuta - oral (i.e. revelação)
  2. Smriti - aquela que se recorda - escrita (i.e. tradição, não revelação).


Vedas

Os Vedas são os textos mais antigos do hinduísmo, e também
influenciaram o budismo, o jainismo e o sikhismo. Os Vedas contêm
hinos, encantamentos e rituais da Índia antiga. Juntamente com o Livro dos Mortos , com o Enuma Elish , I Ching e o Avesta ,
eles estão entre os mais antigos textos religiosos existentes. Além de
seu valor espiritual, eles também oferecem uma visão única da vida
cotidiana na Índia antiga. Enquanto a maioria dos hindus provavelmente
nunca leram os Vedas, a reverência por mais uma noção abstrata de
conhecimento (Veda significa "conhecimento" em sânscrito ) está profundamente impregnada no coração daqueles que seguem o Veda Dharma.


Existem quatro Vedas:


  • Rig Veda
  • Sama Veda
  • Yajur Veda
  • Atharva Veda


Upanixades

Os Upanixades são denominados Vedanta,
porque eles contêm uma exposição da essência espiritual dos Vedas.
Entretanto é importante observar que os Upanixades são textos e Vedanta
é uma filosofia . A palavra Upanishad significa "sentar-se próximo ou perto", pois os estudantes costumavam sentar-se no solo, próximos a seus mestres.


Os Upanixades organizaram mais precisamente a doutrina védica de auto-realização, yoga , e meditação , karma e reencarnação ,
que eram veladas no simbolismo da antiga religião de mistérios. Os mais
antigos Upanixades são geralmente associados a um Veda em particular,
através da exposição de uma brâmana ou Aranyaka, enquanto os mais recentes não.


Formando o coração da Vedanta (Final dos Vedas), eles contêm a técnica de adoração aos deuses védicos e capturam a essência do dito do Rig Veda
"A Verdade é Uma". Eles colocam a filosofia hindu separada e acolhendo
uma única e transcendente força imanente e inata na alma de cada ser
humano, identificando o microcosmo e o macrocosmo
como Um. Podemos dizer que enquanto o hinduísmo primitivo é
fundamentado nos quatro Vedas, o Hinduísmo Clássico, a Ioga e Vedanta,
e correntes tântricas do Bhakti foram modelados com base nos Upanixades.



Puranas - Smriti

Os Puranas são considerados smriti ; ensinamentos não escritos passados oralmente de uma geração a outra. Eles são distintos dos shrutis
ou ensinamentos em escritos tradicionais. Existem um total de 18
Puranas maiores, todos escritos em forma de versos. E dito que estes
textos foram escritos muito anteriormente ao Ramáiana e ao Maabárata .


Acredita-se que o mais antigo Purana provém de cerca de 300 a.C. , e os mais recentes de 1300 - 1400 d.C.
Apesar de terem sido compostos em diferente períodos, todos os Puranas
parecem ter sido revisados. Tal fato pode ser notado no fato de que
todos eles comentam que o número de Puranas é 18. Os Puranas variam muito: o Skanda Purana é o mais longo com 81.000 versos, enquanto o Brahma Purana e o Vamana Purana são os mais curtos com 10.000 versos cada. O número total de versos em todos os 18 Puranas é 400.000.



As Leis de Manu

Manu é o homem lendário, o Adão dos hindus. As leis de Manu são uma coleção de textos atribuídos a ele.



Bhagavad Gita

O Bhagavad Gita ( Bagavadguitá em português ) é considerado parte do Maabárata (escrito em 400 ou 300 a.C. ), é um texto central do hinduísmo, um diálogo filosófico entre o deus Krishna e o guerreiro Arjuna . Este é um dos mais populares a acessíveis textos do hinduísmo, e é de essencial importância para a religião. O Gita discute altruísmo, dever, devoção, meditação, integrando diferente partes da filosofia hindu.



O Ramayana e o Mahabarata

O Ramayana e o Mahabarata são os épicos nacionais da Índia . São provavelmente os poemas mais longos escritos em todo o mundo. O Mahabharata é atribuído ao sábio Vyasa , e foi escrito no período entre 540 e 300 a.C. . O Mahabharata conta a lenda dos báratas , uma das tribos arianas.


O Ramayana é atribuído ao poeta Valmiki , e foi escrito no primeiro século d.C. , apesar de ser baseado em tradições orais que datam de seis ou sete séculos a.C..



Escrituras hindus importantes
  • Bagavadguitá
  • Maabárata
  • Ramáiana
  • Upanixades
  • Vedanta Sutras
  • Yoga Sutras
  • Vedas
  • Devi Mahatmya


Referências


  1. O hinduísmo é definido de diversas maneiras, como "religião", "grupo de
    crenças e práticas religiosas", "tradição religiosa" etc. O tópico é
    discutido em Establishing the boundaries, de Gavin Flood (2003), pgs. 1-17.
  2. The Concise Oxford Dictionary of World Religions. ed. John Bowker. Oxford University Press, 2000; o uso moderno do termo remonta aos movimentos de reforma do hinduísmo do fim do século XIX (J. Zavos, Defending Hindu Tradition: Sanatana Dharma as a Symbol of Orthodoxy in Colonial India, Religion (Academic Press), Volume 31, Número 2, abril de 2001, pgs. 109-123; ver também R. D. Baird, " Swami Bhaktivedanta and the Encounter with Religions," Modern Indian Responses to Religious Pluralism,
    editado por Harold Coward, State University of New York Press, 1987);
    pode ser traduzido também, de maneira menos literal, como "caminho
    eterno" (so Teachings of the Hindu Mystics. Boulder: Shambhala, 2001. p. xiii p. ISBN 1-57062-449-6 )
  3. Encyclopedia Britannica , verbetes " Hinduism " e " Saint "
  4. World Faiths - Hinduism
  5. Merriam-Webster`s Collegiate Encyclopedia. Merriam-Webster, 2000. 751 p.
  6. Religion and American Cultures: An Encyclopedia of Traditions, Diversity, and Popular Expressions. Santa Barbara, Calif: ABC-CLIO, 2003. p. 119 p. ISBN 1-57607-238-X
  7. Encyclopedia of relationships across the lifespan. Westport, Conn: Greenwood Press, 1996. p 359 p. ISBN 0-313-29576-X
  8. Klostermaier 1994 , p. 1
  9. Osborne 2005 , p. 9
  10. Major Religions of the World Ranked by Number of Adherents . Adherents.com.
  11. O Gita Dhyanam é um poema curto traidicional, encontrado às vezes como preâmbulo das edições do Bhagavad Gita. O verso 4 se refere a todos os Upanixades como vacas , e ao Gita como o leite retirado delas. ( Chidbhavananda 1997 , pp. 67–74)
  12. Lipner, Julius (1998), Hindus: Their Religious Beliefs and Practices , Routledge, ISBN 0415051819 , visitado em 24-07-2008.
  13. Ver Leis sonoras do indo-europeu para uma discussão sobre a transição de Sindhu para Hindu.
  14. David Lorenzen, Who Invented Hinduism? New Delhi, 2006, pgs. 24-33; Rajatarangini de Yonaraja: "Hinduka"
  15. "...that many-sided and all-enfolding culture which we in the West have chosen to call Hinduism" Jan Gonda, Visnuism and Sivaism, Munshiram Manoharlal. 1996, ISBN 812150287X p. 1. citado por Welbon, G.R. (Journal of the American Academy of Religion, Vol. 43, No. 1, 98+100. Mar., 1975.). " =0002-7189(197503)43%3A1%3C98%2B100%3ALOGATS%3E2.0.CO%3B2-8
    Love of God According to Saiva Siddhanta: A Study in the Mysticism and
    Theology of Saivism
    ".
  16. J. McDaniel Hinduism, in John Corrigan, The Oxford Handbook of Religion and Emotion, 2007, Oxford University Press, pgs. 52-53 ISBN 0195170210
  17. Weightman 1998 ,
    pp. 262–264 "It is Hindu self-awareness and self-identity that affirm
    Hinduism to be one single religious universe, no matter how richly
    varied its contents, and make it a significant and potent force
    alongside the other religions of the world."


  • Rigveda. Britannica Concise Encyclopedia ( em português )
  • "Hinduism" on Microsoft Encarta Online ( em português )