Gênesis

Gênesis ( português brasileiro ) ou Génesis ( português europeu ) (do grego Γένεσις, "origem", "nascimento", "criação") é o primeiro livro da Bíblia . Faz parte do Pentateuco , os cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é atribuída, pela tradição judaico-cristã, a Moisés . Gênesis é o nome dado pela Septuaginta ao primeiro destes livros, ao passo que seu título hebraico Bereshit ("No princípio") é tirado da primeira palavra de sua sentença inicial.

Narra acontecimentos, desde a criação do mundo , na perspectiva judaica, passando pelos Patriarcas bíblicos , até à fixação deste povo no Egipto , depois da história de José .


  • Autor: Indeterminado (a tradição judaico-cristã sustenta ter sido Moisés);
  • Data: 1450-1410 a.C.
  • Significa: começo, princípio, origem;
  • Primeiro livro da Bíblia e primeiro do Pentateuco ;
  • Possui 50 capítulos;
  • Contém uma história da criação do mundo , da humanidade, da queda do homem e da escolha da nação de Israel por Deus .
  • Panorama: Região atualmente conhecida como Oriente Médio .


Visão Cristã Protestante


A história da criação
A Criação de Adão, de Michelangelo

Deus criou o céu , os mares e a terra .


Ele criou as plantas, os animais, os peixes e os pássaros. Os seres
humanos, porém, Ele os criou à Sua imagem. Há momentos em que somos
tratados com desrespeito, mas podemos estar seguros da nossa dignidade
e do nosso valor, pois fomos criados à imagem de Deus.


  • Do nosso Universo, 1:1-25.
  • Do Homem, 1:26-31; 2:18-24.


A história do homem primitivo

Quando Adão e Eva foram criados por Deus, eles eram sem pecado. Mas tornaram-se pecadores quando desobedeceram a Deus e comeram o fruto da árvore proibida . Através de Adão e Eva aprendemos sobre o poder destrutivo do pecado e suas amargas conseqüências.






A Arca de Noé segundo Edward Hicks.


Noé foi poupado da destruição do dilúvio porque obedeceu a Deus e construiu a arca . Assim como Deus protegeu Noé e sua família, Ele protege aqueles que Lhe são fiéis.


  • Adão e Eva cap, 2-5.
  • A tentação e a queda, a personalidade e o caráter do tentador, o castigo do pecado , e a promessa do Redentor vindouro, cap. 3.
  • A história de Caim e Abel , cap. 4.
  • A genealogia e morte dos patriarcas , cap. 5.
  • Noé ; o Dilúvio ; repovoando a terra, cap. 6-11.
  • Os sucessos relacionados ao dilúvio, caps. 6, 7 e 8.
  • A aliança do arco-íris e o pecado de Noé, cap. 9.
  • Os descendentes de Noé, cap. 10.
  • A confusão das línguas em Babel , cap. 11.


A história do povo escolhido


A vida de Abraão




Sacrifício de Isaque.


Abraão recebeu instrução para deixar sua terra, peregrinar em Canaã , esperar por um filho durante anos, e então queimá-lo em sacrifício .
Durante este período de provações dolorosas, Abraão permaneceu fiel a
Deus. Seu exemplo nos ensina o que significa viver uma vida de .


  • Seu chamado divino, cap. 12.
  • Deus promete uma nação a Abrão .
  • A história de Abraão e , caps. 13 e 14.
  • As revelações divinas e as promessas a Abraão, particularmente a promessa de um filho, da posse da Terra Santa , e de uma grande posteridade, caps. 15, 16 e 17.
  • Sua intercessão em favor das cidades da planície, e a destruição delas ( Sodoma e Gomorra ), caps. 18 e 19.
  • Sua vida em Gerar , e o cumprimento da promessa de um filho no nascimento de Isaque , caps. 20 e 21.
  • A prova da sua obediência por ocasião da ordem divina de sacrificar Isaque, cap. 22.
  • Sua morte.


A vida de Isaque




Isaque dando a benção para Jacó .


Isaque
não reclamou. Ele não resistiu quando estava pestes a ser sacrificado,
e prontamente aceitou a esposa que outros escolheram para ele. Como
Isaque, precisamos aprender a colocar a vontade de Deus acima da nossa.


  • Seu nascimento, 21:3.
  • Seu casamento, cap. 24.
  • O nascimento de seus filhos Jacó e Esaú , 25:20-26.
  • Isaque e Abimeleque .
  • Jacó toma a benção de Isaque, no lugar de Esaú.
  • Seus últimos anos, caps. 26 e 27.


A vida de Jacó

Jacó não desistia facilmente. Serviu com fidelidade a Labão por mais de 14 anos. Mais tarde, lutou com Deus . Embora Jacó tenha cometido muitos erros, seu trabalho intenso nos ensina a como viver uma vida a serviço de Deus.


  • Sua astúcia para adquirir o direito de primogenitura 27:1-29
  • Sua visão da escada celestial, 28:10-22
  • Os incidentes relacionados ao seu matrimônio e sua vida em Padã-Arã , caps. 29, 30 e 31
  • Jacó constitui uma família .
  • Jacó volta para casa.


A vida de Esaú
  • Esaú perde a benção, de Isaque , para o seu irmão Jacó .


A vida de José




José vendido como escravo por seus irmãos.


José
foi vendido como escravo por seus irmãos e atirado injustamente na
prisão por seu senhor. Aprendemos com José que o sofrimento, não
importa quão injusto seja, pode desenvolver um firme caráter em nós.


  • A vida de José , os últimos dias de Jacó, e a descida ao Egito da família escolhida, caps. 37-50
  • José é vendido como escravo.
  • Judá e Tamar
  • José é atirado na prisão.
  • José interpreta os sonhos de Faraó .
  • José é chamado para administrar o Egito.
  • José faz o Egito prosperar e resistir à fome.
  • José e seus irmãos se encontram no Egito.
  • A família de Jacó muda-se para o Egito.
  • Jacó e José morrem no Egito.


Linha do Tempo
  • Criação
  • Adão e Eva
  • Noé
  • Nascimento de Abraão 2166 a.C. (2000 a.C.)
  • Abraão entra em Canaã 2091 a.C. (1925 a.C.)
  • Nascimento de Isaque 2066 a.C. (1900 a.C.)
  • Nascimento de Jacó e Esaú 2006 a.C. (1840 a.C.)
  • Jacó Foge para Harã 1929 a.C. (1764 a.C.)
  • Nascimento de José 1915 a.C. (1750 a.C.)
  • José é vendido como escravo 1898 a.C. (1733 a.C.)
  • José governa o Egito 1885 a.C. (1720 a.C.)
  • Morte de José 1805 a.C. (1640 a.C.)



Temas Bíblicos


TEMA
EXPLICAÇÃO
IMPORTÂNCIA


Príncipio | Gênesis explica o princípio de muitas coisas importantes: o
universo, a Terra, a humanidade, o pecado e o plano de salvação de Deus. | Gênesis nos ensina que a terra é bem-feita e boa. Todas pessoas são
importantes e únicas para Deus; Deus é o criador e o sustentador da
vida. |

Desobediência | Estamos sempre enfrentando grandes escolhas. A desobediência ocorre quando as pessoas escolhem não seguir a vontade de Deus. | Gênesis explica porque as pessoas são más: elas escolhem fazer o
mal. Mesmo os grandes heróis da Bíblia falharam e desobedeceram Deus. |

Pecado | O pecado destrói a vida das pessoas. Ele acontece quando desobedecemos Deus. | Viver de acordo com a vontade de Deus torna a vida produtiva e completa. |

Promessas | Deus promete ajudar e proteger as pessoas. Esse tipo de promessa é chamado de "pacto". | Deus cumpriu Suas promessas do passado, cumpre as do presente e há
de cumprir as do futuro, até o fim dos tempos. Ele promete nos amar,
entender, perdoar e salvar. |

Obediência | O oposto ao pecado é a obediência. O ato de obedecer a Deus restaura o nosso pacto com Ele. | O único meio de desfrutarmos dos benefícios das promessas de Deus é através da obediência a Ele. |

Prosperidade | Prosperidade é algo mais profundo do que a simples riqueza material. A verdadeira prosperidade resulta da obediência a Deus. | Quando as pessoas obedecem a Deus, elas ficam em paz com Ele, com o próximo e consigo. |

Israel | Deus criou a nação de Israel para obter um povo dedicado a: (1)
manter viva a Sua vontade para o mundo; (2) proclamar ao mundo como Ele
realmente é; e (3) preparar o mundo para o nascimento do Messias. | Deus quer que as pessoas o sigam, pois sabe o que é melhor para
elas. Somos chamados a proclamar Suas verdades e amar todas as nações;
não apenas a nossa. Precisamos ser fiéis a Ele e cumprir a missão que
Ele nos confiou. |


Criação e a Ciência

A Bíblia não discute o tema da evolução . Há visões Bíblicas, como a visão católica ,
que não entra em conflito com a ciência, mas sim de alguma teoria que
nega a existência de um criador no príncipio do mundo. Ou ainda alguma
teoria de que Deus não tem influência sobre a sua criação.



Estudos e discussões

As discussões sobre a origem e a autoria dos textos bíblicos
dependem da aceitação da premissa de que eles não foram ditados por
Deus aos escritores e que os relatos não são literais, e sim
interpretações dos atos de Deus através da história do povo de Israel .
Partindo desse princípio, é difícil tratar do conteúdo de Gênesis como
um texto escrito por uma única pessoa num curto período de tempo.


Acredita-se que o livro de Gênesis tenha sido escrito por Moisés (embora ele viesse a morrer antes do final do Pentateuco ),
ou por cronistas próximos a ele. Porém, as informações nele contidas
podem ter sido transmitidas a Moisés pela tradição oral. A longevidade
atribuída aos homens daquele período explicaria o fato de que as
informações teriam sido transmitidas por Adão a Moisés através de
apenas cinco elos humanos: Matusalém , Sem , Isaque , Levi e Anrão .


Outra possibilidade é de que Moisés tenha obtido grande parte das
informações relativas a Gênesis através de textos ou documentos já
existentes. Já no século XVIII ,
o erudito holandês Campegius Vitringa sustentava essa teoria baseando
sua conclusão nas freqüentes ocorrências, em Gênesis (10 vezes), da
expressão (em KJ; Tr) “essas são as gerações de”, e uma vez “esse é o
livro das gerações de”. Nessa expressão, a palavra hebraica para
“gerações” é toh•le•dhóhth, mais bem traduzida por “histórias” ou
“origens”. Por exemplo, “gerações dos céus e da terra” dificilmente se
enquadraria aqui, enquanto que “histórias dos céus e da terra” faz
sentido. (Gên 2:4) Em harmonia com isso, a Bíblia alemã Elberfelder, a
francesa Crampon e a espanhola Bover-Cantera são versões que usam o
termo “histórias”, assim como faz a Tradução Novo Mundo .


Entretanto, para a crítica bíblica , há evidências no texto que demonstram que as tradições de Gênesis, especialmente entre o final da narrativa do Dilúvio e a história de José , podem ter sido compiladas durante o período de dominação babilônica: entre os séculos VII e VI a.C..


É postulado que Abraão tenha nascido na cidade de "Ur dos caldeus", termo repetido algumas vezes. No entanto, os caldeus só surgiram na região de Ur ,
a leste da Mesopotâmia, por volta do século IX a.C., pelo menos 1000
anos depois do tempo suposto para a história de Abraão. A própria
diferença nos estilos literários e as histórias aparentemente
desconexas da vida de Abraão podem ser um indicativo de que tais
histórias tenham sido compiladas em diferentes momentos, ou por
diferentes autores, a partir de uma tradição oral transmitida ao longo
de muitas gerações.


Alguns estudiosos acreditam que as histórias de Isaque , que em vários momentos são semelhantes às de Abraão , sejam um recurso estilístico observado em outros pontos do relato bíblico (a recorrência da cidade de Belém relacionada aos nascimentos de Davi e Jesus
para ressaltar o parentesco entre este e aquele, por exemplo, embora
Jesus nunca fosse referido como belenense ou belemita, mas como
nazareno, pois morava em Nazaré), para realçar a ligação entre os dois
personagens através de seus atos, fortalecendo a ligação entre Israel,
filho de Isaque, e o patriarca Abraão.


A narrativa da história de José, que visa explicar a origem das 12 Tribos de Israel , pode ter sido compilada por cronistas de Israel no período em que os reinos de Israel e Judá
estiveram divididos, durante o primeiro milênio antes de Cristo, pois
toda a narrativa realça a importância e a nobreza de José (pai das
meias-tribos de Efraim e Manassés ,
as tribos dominantes do Reino do Norte), em contrapartida com a
indiferença e a inveja de Judá (a tribo predominante do Reino do Sul),
refletindo o rancor das tribos de José e da tribo de Judá naquele
período. Ao final da narrativa, quando Jacó chega ao Egito
e abençoa seus filhos, é prometido à tribo de Judá que ela reinaria
sobre todas as outras, o que contradiz a finalidade do restante da
narrativa.



Como e quando o livro tornou-se canônico

Desde o começo, os primeiros cincos livros que compõem o Cânon como parte das Escrituras Hebraicas , foram aceitos pelos judeus como documentos autênticos. Assim, no tempo de Davi , os eventos registrados de Gênesis a I Samuel eram plenamente aceitos como a verdadeira história da nação e dos pactos entre Deus e o povo eleito.


No entanto, adversários das Escrituras Hebraicas têm atacado fortemente o Pentateuco ,
em particular no que tange à sua autenticidade e autoria. Por outro
lado, ironicamente, devido ao reconhecimento, por parte dos judeus , de que Moisés é o autor do Pentateuco, podemos salientar o testemunho de antigos escritores, alguns dos quais eram inimigos dos judeus. Hecateu de Abdera , o historiador egípcio Mâneto , Lisímaco de Alexandria , Eupolemo , Tácito e Juvenal ,
todos atribuem a Moisés o estabelecimento do código de leis que
distinguia os judeus das outras nações, e a maioria deles menciona em
especial que ele assentou suas leis por escrito. Numênio , o filósofo pitagórico, até mesmo menciona Janes e Jambres
como os sacerdotes egípcios que se opuseram a Moisés. (2 Tim. 3:8)
Esses autores abrangem um período que se estende do tempo de Alexandre (século IV a.C), quando os gregos se interessaram pela história judaica pela primeira vez, até o tempo do Imperador Aureliano (século III d.C). Muitos outros escritores antigos mencionam Moisés como líder, governante e legislador.


Apesar do estrito cuidado dos copistas dos manuscritos da Bíblia,
foram introduzidos no texto alguns pequenos erros e alterações de
escribas. Como um todo, eles são insignificantes e não alteram a
integridade geral das Escrituras; foram descobertos e corrigidos por
meio de cuidadosa colação erudita e/ou comparação crítica dos muitos
manuscritos e versões antigas existentes.


Quanto ao estudo crítico do texto hebraico , ele começou com os eruditos no século XVIII . Nos anos de 1776-80, em Oxford , Benjamin Kennicott publicou variantes de mais de 600 manuscritos hebraicos. Daí, em 1784-98, em Parma , o erudito italiano J. B. de Rossi publicou variantes de mais de 800 manuscritos. O hebraísta S. Baer , da Alemanha , também produziu um texto-padrão. Mais recentemente, C. D. Ginsburg dedicou muitos anos à produção de um texto-padrão crítico da Bíblia hebraica. Foi publicado pela primeira vez em 1894 , passando por revisão final em 1926 .
Este fornece um estudo textual por meio de notas de rodapé, que
comparam muitos manuscritos hebraicos do texto massorético. O texto
básico usado por ele foi o texto de Ben Chayyim . Mas, quando os textos mais antigos e superiores massoréticos de Ben Asher se tornaram disponíveis, Kittel empreendeu a produção de uma terceira edição, inteiramente nova, que após a sua morte foi completada por seus colegas. Joseph Rotherham usou a edição de 1894 desse texto na produção da sua tradução inglesa , The Emphasised Bible (A Bíblia Enfatizada), em 1902 , e o Professor Max L. Margolis , junto com colaboradores, usou os textos de Ginsburg e de Baer na produção da sua tradução das Escrituras Hebraicas, em 1917 .