Fenícia

A Fenícia (em fenício : , transl. Canaan ou Kana`an; em grego : Φοινίκη, transl. Phoiníkē; em latim : Phoenicia) foi um reino da Antiguidade , cujo centro se situava na planície costeira do que é hoje o Líbano , no Mediterrâneo oriental. Esta civilização desenvolveu-se entre os séculos X e V a.C. , estabelecendo colónias em todo o norte de África e sul da Europa .



Os fenícios e a sua história

A civilização fenícia tinha um plano econômico centralizado no comércio marítimo. Entre os séculos X e I a.C. , os fenícios criaram entrepostos comerciais ao longo de todo o Mediterrâneo, chegando às costas atlânticas da península Ibérica e norte da África .


Seus principais adversários comerciais, e consequentemente bélicos,
eram os gregos, que paradoxalmente, são uma de suas primeiras e mais
importantes influências (principalmente os micênios) sociais e
políticas. Infelizmente, os fenícios não deixaram literatura
ou registros escritos em materiais resistentes ao tempo, e por esse
motivo o que se sabe da sua escrita provém apenas de curtas inscrições
em pedra.


As suas cidades principais foram Sídon , Tiro , Biblos e Beritus (atual Beirute ), na Costa do Levante. Biblos , Sidon e Tiro foram, de forma sucessiva, capitais desse império comercial. No norte da África, existiram Cartago , Útica
dentre outras. Na atual Itália, no extremo oeste da ilha da Sicília,
havia uma cidadela portuária estratégica, rodeada de muralhas, chamada
Motya. Sarepta , no sul
da Fenícia, região do atual Oriente Médio, é onde se realizaram as mais
profundas escavações arqueológicas. Os Fenícios chegaram à Espanha e a
atual Itália, fundando colônias onde hoje repousam cidades como Cádis (ESP) e Palermo e Cagliari (ITA).


A marinha
fenícia era uma das mais poderosas do mundo antigo. Com a frota feita a
base de cedro, árvore típica da região, símbolo inclusive registrado na
bandeira do Líbano. Suas embarcações, dotadas de aríetes de proa ,
quilha estreita e vela retangular, eram velozes e mais fáceis de
manobrar. Com isso, os fenícios mantiveram sua superioridade naval por
séculos. Quando a Pérsia tomou controle da Fenícia, no século VI a.C. ,
os persas passaram a utilizar a engenharia naval fenícia para tentar
controlar o Mediterrâneo, o que não era tão mal visto pelos fenícios,
já que os persas lhes davam certa autonomia política e religiosa, e os
gregos eram seus inimigos há séculos. Na expedição de Xerxes em 480 a.C., havia três dos mais renomados "almirantes" fenícios em sua frota. Em certa feita, durante o reinado do rei persa Cambises II da Pérsia ,
os persas contavam com o apoio naval dos fenícios para conquistar o
norte da África. Mas os navios retrocederam após um ataque ao Egito , pois constava nos planos dos persas um ataque à colônia fenícia de Cartago .


Após o século V a.C. , quando a Fenícia foi ocupada pelos macedônios de Alexandre, o Grande ,
a Fenícia deixou de existir como uma unidade política, e seu território
original deixou de ser governada pelos fenícios. Vale lembrar que
Alexandre tem fortes raízes na Grécia, inimigos dos fenícios. No
entanto, suas colônias ao longo da costa do Mediterrâneo, como Cartago
na Tunísia , Gadir na Espanha , Panormo na Sicília e Tingis (atual Tânger , no Marrocos )
continuaram a prosperar como importantes portos e entrepostos
comerciais, especialmente aquela primeira cidade, que se tornaria
centro da civilização fenícia.


A influência fenícia declinou após as derrotas nas Guerras Púnicas contra o Império Romano , no século II a.C. .


O nome Fenícia deriva do nome grego da área: Φοινίκη Phoiníkē . O nome Espanha vem de uma palavra fenícia que significa " costa de coelho ". Quanto à religião , os fenícios eram politeístas , e talvez admitissem sacrifícios humanos.


Na Bíblia , o rei Hiram I de Tiro é mencionado como tendo cooperado com o rei Salomão na organização de uma expedição ao Mar Vermelho e na construção do Templo de Salomão .
Este templo foi construído de acordo com desenho fenício, e as suas
descrições são consideradas como a melhor descrição existente que temos
do que terá sido um templo fenício. Os fenícios da Síria também eram
chamados siro-fenícios .


Os fenícios foram um povo de comerciantes com descendência de Cam (figura da mitologia judaica de existencia não-comprovada) que saíram do norte
da região hoje conhecida como Líbano para o norte da África em busca de
novas rotas e que por um grande período de tempo dominaram o comércio
no Mediterrâneo. Assim, os fenícios fundaram portos e cidades em
lugares tão longínquos quanto a costa norte de África e a Espanha.


Após períodos consecutivos de dominação assíria , persa e macedônica , a região de origem dos fenícios perdeu seu poder, ao passo que uma das colônias fenícias do Mediterrâneo, Cartago ,
ascendeu como um dos portos mais importantes do Mediterrâneo. Em um
intervalo de 120 anos, entre os séculos III e II a.C., os fenícios de
Cartago disputaram o controle do mediterrâneo com a República Romana
nas Guerras Púnicas . Após sua derrocada em 146 a.C. , pouco restou da cultura fenícia no Mar Mediterrâneo.



Economia

Os primeiros habitantes tentaram desenvolver a agricultura , junto com a pesca e a caça ,
mas não deu certo. Apesar disso, a posição geográfica da Fenícia era
estratégica, pois localizava-se no cruzamentos das principais rotas
comerciais entre o Ocidente e o Oriente . Então, os fenícios começaram a desenvolver o comércio ,
que foi a principal atividade econômica da Fenícia. Os habitantes
tornaram-se famosos por serem grandes comerciantes e navegadores.



Navegação

O domínio do Mar Mediterrâneo favoreceu a fundação de colônias, como a de Cartago , Sicília e Cádiz .
Houve o grande domínio de pontos comerciais. Havia também uma certa
pirataria e um segredos das rotas. Por serem grandes navegadores, os
Fenícios sabiam rotas estratégicas e atalhos marítimos como ninguém.



Estrutura Social

A sociedade, como quase todas as outras sociedades da Antigüidade , era dividida em classes. O grupo dominante estava entre ricos comerciantes, proprietários de terras, armadores e sacerdotes . A classe social mais baixa fazia parte da maioria da população: artesãos , camponeses e escravos também habitavam a região.



Artesanato e comércio

A madeira foi uma das maiores fontes de riqueza dos fenícios . As montanhas da região eram cobertas por florestas de cedro , madeira leve e resistente, apropiada para a construção de embarcações .


Além disso, desenvolveram a metalurgia , a tecelagem , a tinturaria , cerâmica , fabrico de vidro , joias e corante púrpura , extraindo um líquido do caramujo Murex para tecidos.



A vida política

A região Fenícia era organizada em cidades-Estados independentes.
Existia uma certa rivalidade entre as cidades, mas a comunicação entre
as cidades era dificultada, por conta das cadeias de montanhas que
existia ao longo da costa. O tipo de governo existente na época era a Talassocracia ,
que dominava os comerciantes marítimos na política das cidades-Estado.
O poder do chefe político que era o rei, era limitado por um conselho
de comerciantes e armadores. [1]



Cultura

A constante presença de potências estrangeiras na vida cultural da Fenícia parece ter sido a causa de sua pouca originalidade: as sepulturas
fenícias, por exemplo, eram decoradas com motivos egípcios ou
mesopotâmicos.Mesmo assim, os Fenícios deixaram para nós o maior legado
cultural da Antigüidade: um alfabeto fenício fonético simplificado, com cerca de 22 letras, que inovava em relação a outros sistemas de escrita da antiguidade por basear-se em sinais representando sons, ao invés de pictogramas . Esse alfabeto é ancestral de grande parte dos alfabetos usados no mundo (como o grego , o latino , o árabe e o hebraico ).
Vale ressaltar que a invenção da escrita é atribuida aos Sumérios, uma
das mais antigas civilizações mesopotâmicas(4000 a.C-1900 a.C),com o
objetivo de registrar as transações comerciais. O primeiro alfabeto
fenício foi adaptado a partir desse sistema silábico de escrita
cuneiforme sumério.


Os principais destaques da cultura Fenícia foram: cristais
transparentes, tecidos (principalmente de púrpura), armas, jóias,
objetos de bronze, couro curtido e estatuetas de barro esmaltado.



Religião

Os fenícios erguiam altares nas partes mais altas de suas cidades para sacrificar pequenos animais em oferenda aos deuses, devidamente relatados na Bíblia . Esses deuses representavam fenômenos da Natureza: Dagon representava os rios e anunciava as chuvas : Baal era o deus das alturas, tempestades e raios: Ayan e Anat ,
filhos de Baal, representavam as águas subterrâneas e a guerra,
respectivamente. Os fenícios tinham deuses comuns, embora com nomes
diferentes em cada local; por exemplo, na cidade de Tiro ,
Baal era denominado Melqart. Assim dizendo, podemos afirmar que os
Fenícios era politeístas, ou seja, acreditavam em vários deuses.
Existiam rituais sangrentos e cultos realizados ao ar livre. Tinha a
prática de magia, e os habitantes da Fenícia acreditavam em
maus-espíritos, bons-espíritos, dentre outras coisas, como também os judeus , que eram condenados por Jesus Cristo , vide Novo Testamento da Bíblia .



Ver também
  • Arte fenícia
  • Birreme


Referências


  1. Ritmos da História - 5ª Série - Campos, Flávio de, Miranda, Renan,
    Claro, Regina e Dolhnikoff, Mirian - Página 130 - Escala Educacional