Budismo
Budismo é uma religião e filosofia baseada nos ensinamentos deixados por Sidarta Gautama , ou Sakyamuni (o sábio do clã dos Sakya ), o Buda histórico, que viveu aproximadamente entre 563 e 483 a.C. no Nepal . De lá o budismo se espalhou através da Índia , Ásia , Ásia Central , Tibete , Sri Lanka (antigo Ceilão), Sudeste Asiático como também para países do Leste Asiático, incluindo China , Myanmar , Coréia , Vietnã e Japão .Hoje o budismo se encontra em quase todos os países do mundo,
amplamente divulgado pelas diferentes escolas budistas, e conta com
cerca de 376 milhões de seguidores.
Ensinamentos e doutrina
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Ao contrário do pensamento comum, o budismo não é uma religião, pois
não existe um deus criador, não existem dogmas e nem proselitismo,
porém também não seria correto denominá-la apenas como uma filosofia,
pois aborda muito mais do que uma mera absorção intelectual. O Budismo
não tem uma definição, tendo aquela que qualquer praticante lhe queira
atribuir, contudo poderemos denominá-la de caminho de crescimento
espiritual, através dos ensinamentos dos Buddhas.
Os ensinamentos básicos do budismo são: evitar o mal, fazer o bem e
cultivar a própria mente. O objetivo é o fim do ciclo de sofrimento, samsara , despertando no praticante o entendimento da realidade última - o Nirvana .
O ponto de partida do budismo é a percepção de que o desejo causa inevitavelmente a dor . Deve-se portanto eliminar o desejo para se eliminar a dor. Com a eliminação da dor, se atinge a paz interior , que é sinônimo de felicidade .
A moral budista é baseada nos princípios de preservação da vida e
moderação. O treinamento mental foca na disciplina moral (sila),
concentração meditativa ( samadhi ), e sabedoria (prajña).
Apesar do budismo não negar a existência de seres sobrenaturais (de
fato, há muitas referências nas escrituras Budistas), ele não confere
nenhum poder especial de criação, salvação ou julgamento a esses seres,
não compartilhando da noção de Deus comum às religiões abraâmicas (judaísmo, cristianismo e islamísmo).
A base do budismo é a compreensão das Quatro Nobres Verdades , ligadas à constatação da existência de um sentimento de insatisfação ( Dukkha ) inerente à própria existência, que pode no entanto ser transcendido através da prática do Nobre Caminho Óctuplo .
Outro conceito importante, que de certa forma sintetiza a cosmovisão
budista, é o das três marcas da existência: a insatisfação ( Dukkha ), a impermanência ( Anicca ) e a ausência de um "eu" independente ( Anatta ).
A flor de lótus e a cruz suástica são símbolos do Budismo (ver simbologia budista ).
Escolas
O budismo dividiu-se em várias escolas, das quais algumas vieram a
se extinguir. A principal divisão atualmente existente é entre a escola
Theravada e as linhagens Mahayana e Vajrayana .
As escolas numericamente mais expressivas na atualidade são:[ carece de fontes ?]
- Theravada , estabelecida no sudeste asiático;
- Zen japonês e Chan chinês, escolas com ênfase na meditação . Alguns estudiosos consideram estas escolas como uma linhagem Mahayana . Outros, no entando, dizem que, pela ênfase ser diferente, e pelo Zen/Chan ser "descendentes" também do Taoísmo , devem ser considerados uma escola à parte;
- as escolas japonesas devocionais da Terra Pura ( Jodo Shu ) e Verdadeira Terra Pura ( Jodo Shinshu ), e as escolas ligadas à Nitiren, todas Mahayana;
- as escolas tântricas do Budismo tibetano ( Nyingma , Kagyu , Gelug , Sakya ) que fazem parte da linhagem Vajrayana .
Há muita polêmica e confusão no ocidente em torno do budismo, devido
principalmente à falta de informação correta. Muitos movimentos esoteristas e sincréticos
procuram se apresentar como "verdadeiros budismos", "adaptações para o
Ocidente", etc. Freqüentemente questiona-se quanto ao budismo ser ou
não uma religião (por não aceitar a existência de um deus criador do
mundo).
Origens
Buda na ilha de Lantau, em Hong Kong
O budismo formou-se no nordeste da Índia, entre o século VI a.C. e o
século IV a.C. Este período corresponde a uma fase de alterações
sociais, políticas e econômicas nesta região do mundo. A antiga
religiosidade bramânica ,
centrada no sacríficio de animais, era questionada por vários grupos
religiosos, que geralmente orbitavam em torno de um mestre.
Um destes mestres religiosos foi Siddhartha Gautama, o Buda, cuja
vida a maioria dos académicos ocidentais e indianos situa entre 563
a.C. e 483 a.C., embora os académicos japoneses consideram mais
provável a data 448 a.C. 368 a.C.. Siddhartha nasceu na povoação de
Kapilavastu, que se julga ser a aldeia indiana de Piprahwa, situada
perto da fronteira indo-nepalesa. Pertencia à casta guerreira (ksatriya).
Várias lendas posteriores afirmam que Siddhartha viveu no luxo,
tendo o seu pai se esforçado por evitar que o seu filho entrasse em
contacto com os aspectos desagradáveis da vida. Por volta dos 29 anos,
o jovem Siddhartha decidiu abandonar a sua vida, renunciando a todos os
bens materiais, e adaptando a vida de um renunciante. Praticou o ioga
(numa forma que não é a mesma que é hoje seguida nos países
ocidentais), e seguiu práticas ascéticas extremas, mas acabou por
abandoná-las, vendo que não conseguia obter nada delas. Segundo a
tradição, ao fim de uma meditação sentado debaixo de uma figueira , descobriu a solução para a libertação do ciclo das existências e das mortes que o atormentava.
Pouco depois decidiu retomar a sua vida errante, tendo chegado a um bosque perto de Benares ,
onde pronunciou um discurso religioso diante de cinco jovens, que
convencidos pelos seus ensinamentos, se tornaram os seus primeiros
discípulos e com que que formou a primeira comunidade monástica (sangha).
O Buda dedicou então o resto da sua vida (talvez trinta ou cinquenta
anos) a pregar a sua doutrina através de um método oral, não tendo
deixado quaisquer escritos.
Principais doutrinas
As Quatro Nobres Verdades
Um dos principais ensinamentos do Buda é aquele que é o conhecido como as Quatro Nobres Verdades . Ele constitui a base de todas as escolas budistas.
Buda expôs as Quatro Nobres Verdades no Dhammacakkapavattana Sutta [1] (Samyutta Nikaya LVI.11) da seguinte forma:
- A primeira nobre verdade : "(...) esta é a nobre verdade
do sofrimento: nascimento é sofrimento, envelhecimento é sofrimento,
enfermidade é sofrimento, morte é sofrimento; tristeza, lamentação,
dor, angústia e desespero são sofrimento; a união com aquilo que é
desprazeroso é sofrimento; a separação daquilo que é prazeroso é
sofrimento; não obter o que queremos é sofrimento; em resumo, os cinco
agregados influenciados pelo apego são sofrimento.(...)" - A segunda nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade da
origem do sofrimento: é este desejo que conduz a uma renovada
existência, acompanhado pela cobiça e pelo prazer, buscando o prazer
aqui e ali; isto é, o desejo pelos prazeres sensuais, o desejo por
ser/existir, o desejo por não ser/existir.(...)" - A terceira nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade
da cessação do sofrimento: é o desaparecimento e cessação sem deixar
vestígios daquele mesmo desejo, o abandono e renúncia a ele, a
libertação dele, a independência dele.(...)" - A quarta nobre verdade: "(...) esta é a nobre verdade do
caminho que conduz à cessação do sofrimento: é este Nobre Caminho
Óctuplo: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta,
ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena
correta, concentração correta.(...)"
O Nobre Caminho Óctuplo
Tem sido sugerido que a forma de exposição da doutrina das "Quatro
Nobres Verdades" segue um padrão que se assemelha ao do diagnóstico de
uma doença: depois de ter apontado as origens do mal, o Buda mostrou um
remédio que leva à cessação desse mal. Esse "remédio" é conhecido como
o " Nobre Caminho Óctuplo " (em sânscrito : Astingika-Marga), e deve ser adoptado pelos budistas. Consiste, de acordo com o Magga-vibhanga Sutta [2] (Samyutta Nikaya XLV.8), em:
- Visão ou Entendimento correcto : "(...)E o que é o
entendimento correto? Compreensão do sofrimento, compreensão da origem
do sofrimento, compreensão da cessação do sofrimento, compreensão do
caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento. A isto se chama
entendimento correto.(...)" - Intenção ou Pensamento correcto : "(...)E o que é
pensamento correto? O pensamento de renúncia, o pensamento de não má
vontade, o pensamento de não crueldade. A isto se chama pensamento
correto.(...)" - Palavra ou Linguagem correcta : "(...)E o que é a
linguagem correta? Abster-se da linguagem mentirosa, da linguagem
maliciosa, da linguagem grosseira e da linguagem frívola. A isto se
chama linguagem correta.(...)" - Actividade ou Acção correcta : "(...)E o que é ação
correta? Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que
não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria. A isto se chama de
ação correta.(...)" - Modo de vida correcto : "(..)E o que é modo de vida
correto? Aqui um nobre discípulo, tendo abandonado o modo de vida
incorreto, obtém o seu sustento através do modo de vida correto. A isto
se chama modo de vida correto.(...)" - Esforço correcto : "(...)E o que é esforço correto? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu
gera desejo para que não surjam estados ruins e prejudiciais que ainda
não surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia, empenha a sua
mente e se esforça. (ii) Ele gera desejo em abandonar estados ruins e
prejudiciais que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia,
empenha a sua mente e se esforça. (iii) Ele gera desejo para que surjam
estados benéficos que ainda não surgiram e ele se aplica, estimula a
sua energia, empenha a sua mente e se esforça. (iv) Ele gera desejo
para a continuidade, o não desaparecimento, o fortalecimento, o
incremento e a realização através do desenvolvimento de estados
benéficos que já surgiram e ele se aplica, estimula a sua energia,
empenha a sua mente e se esforça. A isto se denomina esforço
correto.(...)" - Atenção correcta : "(...)E o que é atenção plena correta?
(i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu permanece focado no corpo como um corpo
- ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de
lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. (ii) Ele permanece focado nas
sensações como sensações – ardente, plenamente consciente e com atenção
plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. (iii)
Ele permanece focado na mente como mente - ardente, plenamente
consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o
desprazer pelo mundo. (iv) Ele permanece focado nos objetos mentais
como objetos mentais - ardente, plenamente consciente e com atenção
plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. A isto
se denomina atenção plena correta.(...)" - Concentração correcta : "(...)E o que é concentração
correta? (i) Aqui, bhikkhus, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais,
afastado das qualidades não hábeis, entra e permanece no primeiro
jhana, que é caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o
êxtase e felicidade nascidos do afastamento. (ii) Abandonando o
pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no
segundo jhana, que é caracterizado pela segurança interna e perfeita
unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o
êxtase e felicidade nascidos da concentração. (iii) Abandonando o
êxtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que é
caracterizado pela felicidade sem o êxtase, acompanhada pela atenção
plena, plena consciência e equanimidade, acerca do qual os nobres
declaram: ‘Ele permanece numa estada feliz, equânime e plenamente
atento.’ (iv) Com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu
entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem
sofrimento, com a atenção plena e a equanimidade purificadas. A isto se
denomina concentração correta.."
Cosmologia
A cosmologia
budista considera que o universo é composto por vários sistemas
mundiais, sendo que cada um destes possui um ciclo de nascimento,
desenvolvimento e declínio que dura bilhões de anos.
Num sistema mundial existem seis reinos que por sua vez incluem vários níveis, num total de trinta e um.
O reino dos infernos situa-se na parte inferior. A concepção do inferno
budista é diferente da concepção cristã, na medida em que o inferno não
é um lugar de permanência eterna nem o renascimento nesse local é o
resultado de um castigo divino; os seres que habitam no inferno
libertam-se dele assim que o mau karma que os conduziu ali se esgota.
Por outro lado, o budismo considera que existem não apenas infernos
quentes, mas também infernos frios.
Acima do reino dos infernos pelo lado esquerdo encontra-se o reino animal , o único dos vários reinos perceptível aos humanos e onde vivem as várias espécies .
Acima do reino dos infernos pelo lado direito encontra-se o mundo dos espíritos ávidos ou fantasmas (preta). Os seres que nele vivem sentem constantemente sede ou fome sem nunca terem estas necessidades saciadas. A arte budista representa os habitantes deste reino como tendo um estômago do tamanho de uma montanha e uma boca minúscula.
O reino seguinte é o dos Asura (termo traduzido como "Titãs" ou dos
antideuses). Os seus habitantes ali nasceram em resultado de acções
positivas realizadas com um sentimento de inveja e competição e vivem em guerra constante com os deuses.
O quinto reino é o dos seres humanos. É considerado como um reino de
nascimento desejável, mas ao mesmo tempo difícil. A vida enquanto
humano é vista como uma via intermédia nesta cosmologia, sendo
caracterizada pela alternância das alegrias e dos sofrimentos, o que de
acordo com a perspectiva budista favorece a tomada de consciência sobre
a condição samsárica.
O último reino é o dos deuses (deva) e é composto por vários
níveis ou residências. Nos níveis mais próximos do reino humano vivem
seres que devido à prática de boas acções levam uma acção harmoniosa.
Os níveis situados entre o vigésimo terceiro e o vigésimo sétimo são
denominados como "Residências Puras", sendo habitadas por seres que se
encontram perto de atingir a iluminação e não voltarão a renascer como
humanos.
Escrituras
Edição do Cânone Pali
Buda não deixou nada escrito. De acordo com a tradição budista,
ainda no próprio ano em que o Buda faleceu teria sido realizado um
concílio na cidade de Rajaghra onde discípulos do Buda recitaram os
ensinamentos perante uma assembleia de monges que os transmitiram de
forma oral aos seus discípulos. Porém, a historicidade deste concílio é
alvo de debate: para alguns este relato não passa de uma forma de
legitimação posterior da autenticidade das escrituras.
Por volta do século I a.C. os ensinamentos do Buda começaram a ser
escritos. Um dos primeiros lugares onde se escreveram esses
ensinamentos foi no Sri Lanka ,
onde se constitui o denominado Cânone Pali. O Cânone Pali é considerado
pela tradição Theravada como contendo os textos que se aproximam mais
dos ensinamentos do Buda. Não existem contudo no budismo um livro
sagrado como a Bíblia ou o Alcorão que seja igual para todos os crentes; para além do Cânone Pali, existem outros cânones budistas, como o chinês e o tibetano.
O canône budista divide-se em três grupos de textos, denominado "Triplo Cesto de Flores" (tipitaka em pali e tripitaka em sânscrito):
- Sutra Pitaka: agrupa os discursos do Buda tais como teriam sido recitados por Ananda no primeiro concílio. Divide-se por sua vez em vários subgrupos;
- Vinaya Pitaka: reúne o conjunto de regras que os monges budistas
devem seguir e cuja transgressão é alvo de uma penitência. Contém
textos que mostram como surgiu determinada regra monástica e fórmulas
rituais usadas, por exemplo, na ordenação. Estas regras teriam sido
relatadas no primeiro concílio por Upali; - Abhidharma Pitaka: trata do aspecto filosófico e psicológico
contido nos ensinamentos do Buda, incluindo listas de termos técnicos.
Quando se verificou a ascensão do budismo Mahayana esta tradição
alegou que o Buda ensinou outras doutrinas que permaneceram ocultas até
que o mundo estivesse pronto para recebê-las; desta forma a tradição
Mahayana inclui outros textos que não se encontram no Theravada.
Difusão do budismo
Índia
Estátua de Buda no Templo Mahabodhi , em Bodh Gaya , Índia
A partir do seu local de nascimento no nordeste indiano, o budismo
espalhou-se para outras partes do norte e para o centro da Índia.
Durante o reinado do imperador mauria Asoka ,
que se converteu ao budismo e que governou uma área semelhante à da
Índia contemporânea (com excepção do sul), esta religião consolidou-se.
Após ter conquistado a região de Kalinga
pela força, Asoka decidiu que a partir de então governaria com base nos
preceitos budistas. O imperador ordenou a construção de hospedarias
para os viajantes e que fosse proporcionado tratamento médico não só
aos humanos, mas também aos animais. O rei aboliu também a tortura e provavelmente a pena de morte . A caça ,
desporto tradicional dos reis, foi substituído pela peregrinação a
locais budistas. Apesar de ter favorecido o budismo, Asoka revelou-se
também tolerante para com o hinduísmo e o jainismo .
Asoka pretendeu também divulgar o budismo pelo mundo, como revelam
os seus éditos. Segundo estes foram enviados emissários com destino à Síria , Egipto e Macedónia (embora não se saiba se chegaram aos seus destinos) e para oriente para um terra de nome Suvarnabhumi (Terra do Ouro) que não se conseguiu identificar com segurança.
O império mauria chegou ao fim em finais do século II a.C. A Índia foi então dominada pelas dinastia locais dos Sunga (c.185-173 a.C.) e dos Kanva
(c.73-25 a.C.), que perseguiram o budismo, embora este conseguisse
prevalecer. Perto do início da era actual o noroeste da Índia foi
invadido pelos Citas que formariam a dinastia dos Kuchans . Um dos mais importantes reis desta dinastia, Kanishka (c. 127-147), foi um grande proselitista do budismo.
Durante a era da dinastia Gupta ( 320 - 540 ) os monarcas favorecem o budismo, mas também o hinduísmo. Em meados do século VI, os Hunos Brancos oriundos da Ásia Central, invadem o noroeste da Índia, provocando a destruição de inúmeros mosteiros
budistas. A partir de 750 a dinastia Pala governou no nordeste da Índia
até ao século XII, apoiando os grandes centros monásticos budistas,
entre os quais o de Nalanda .
Contudo, a partir do século XII o budismo entra num declínio definitivo
devido a vários factores. Entre estes encontravam-se o revivalismo
hindu que se manifestou com figuras como Adi Shankara e pelas invasões dos muçulmanos do século XII e XIII.
Sri Lanka e Sudeste da Ásia
Wat Mahathat , Sukhothai , Tailândia
A tradição cingalesa atribui a introdução do budismo no Sri Lanka ao monge Mahinda ,
filho de Asoka, que teria chegado à ilha em meados do século III a.C.
acompanhado por outros missionários. Este grupo teria convertido ao
budismo o rei Devanampiya Tissa e grande parte da nobreza local. O rei ordenou a construção do Mahavihara ("Grande Mosteiro" em pali) na então capital do Sri Lanka, Anuradhapura . O Mahavihara foi o grande centro do budismo Theravada na ilha nos séculos seguintes.
Foi no Sri Lanka que por volta do ano 80 a.C. se redigiu o Cânone Pali, a colectânea mais antiga de textos que reflectem os ensinamentos do Buda. No século V d.C. chegou à ilha o monge Buddhaghosa que foi responsável por coligir e editar os primeiros comentários feitos ao Cânone, traduzindo-os para o pali.
Na Tailândia o budismo lançou raízes no século VII nos reinos de Dvaravati (no sul, na região da actual Banguecoque ) e de Haripunjaya (no norte, na região de Lamphun), ambos reinos da etnia Mon. No século XII o povo Tai, que chegou ao território vindo do sudoeste da China , adoptou o budismo Theravada como a sua religião.
A presença do budismo na Península Malaia está atestada desde o século IV d.C., assim como nas ilhas de Java e Sumatra . Nestas regiões verificou-se um sincretismo entre o budismo Mahayana e o xivaísmo , que está ainda hoje presente em locais como a ilha de Bali .
Entre o século VII e o século IX a dinastia budista dos Xailendra
governou partes da Indonésia e a Península Malaia, tendo sido
responsável pela construção do Borobodur , uma enorme stupa que é o maior monumento existente no hemisfério sul . O islão chegou à Indonésia no século XIV
trazido pelos mercadores, acabando por substituir o budismo como
religião dominante. Actualmente o budismo é principalmente praticado
pela comunidade chinesa da região.
China
Pintura nas grutas de Bezeklik, oeste da China, retratando monges budistas
A tradição atribui a introdução do budismo na China ao imperador han
Ming-Ti. Este imperador teve um sonho no qual viu um ser voador
dourado, interpretado como uma visão do Buda, e ordenou que fossem
enviados emissários à Índia para que trouxessem a doutrina.
Independentemente da tradição, o budismo só se espalhou na China nos séculos V e VI com o apoio da dinastia Wei e Tang .
Durante este período estabelecem-se na China escolas budistas de origem
indiana ao mesmo tempo que se desenvolvem escolas próprias chinesas.
Coréia e Japão
Ver artigo principal: Budismo no Japão
Kanji japonês para "Zen"
O budismo penetrou na Coréia no século IV . Nesta altura a Coréia não era um território unificado, encontrando-se dividida em três reinos rivais: o reino de Koguryo , no norte, o reino de Paekche , no sudoeste e o reino de Silla ,
no sudeste. Estes três reinos reconheceriam o budismo como religião
oficial, tendo sido primeiro a fazê-lo Paekche (384), seguindo-se o
Koguryo (392) e Silla (528). Em 668 o reino de Silla unificou a Coréia
sob o seu poder e o budismo conheceu uma era de desenvolvimento. Foi
neste período que viveu o monge Wonhyo Daisa
(617-686), que tentou promover um budismo do qual fizessem parte
elementos de todas as seitas. No século VIII foi difundido na Coréia o
budismo da escola chinesa Chan , que teve desenvolvimentos próprios na Coréia com o nome de son (ou seon) e que se tornou a escola dominante.
O budismo continuou a florescer durante a era Koryo (935-1392), até que a dinastia Li (1392-1910) favoreceu o confucionismo .
A partir da Coréia e da China o budismo foi introduzido no Japão em
meados do século VI. Em 593 o princípe Shotoku declarou-o como religião
do Estado, mas o budismo foi até à Idade Média um movimento ligado à
corte e a aristocracia sem larga adesão popular (os missionários
coreanos tinham apresentado à corte japonesa o budismo como elemento de
protecção nacional). Durante a era Nara (710-794) Héian (794-1185)
desenvolveram-se várias seitas. São deste último período a escola
Shingon e Tendai. Durante a era Kamakura (1185-1333) o budismo
populariza-se finalmente com as escolas Terra Pura, Nitiren Daishonin e Zen .
Tibete
Deus lamaísta da fortuna
No Tibete
o budismo propagou-se em dois momentos diferentes. O rei
Srong-brtsan-sgam-po (c.627-c.650), influenciado pelas suas duas
esposas budistas, decidiu mandar chamar ao Tibete monges indianos para
ali difundirem a religião. Durante o reinado de Khri-srong-lde-btsan
construiu-se o primeiro mosteiro budista tibetano e em 747 chegou ao território o notável monge indiano Padmasambhava , que organizou o budismo tibetano. Contudo, uma reacção hostil da religião indígena, o Bon , levaria à supressão do budismo nos dois séculos seguintes.
O budismo seria reintroduzido no Tibete a partir do século XI, com a ajuda do monge indiano Atisa que chegou ao território em 1042 .
Com o passar do tempo formaram-se quatro escolas: Sakyapa, Kagyupa,
Nyingmapa e Gelugpa. Em 1578 membros desta última escola converteram o
mongol Altan Khan à sua doutrina. Alta Khan criou o título de Dalai Lama ,
que concedeu ao líder da escola Gelugpa. Em 1641, com ajuda dos
Mongóis, o quinto Dalai Lama derrotou o último príncipe tibetano e
tornou-se o líder temporal do Tibete. Os seguintes dalai lamas foram na
prática os governantes do Tibete até à invasão chinesa. O quinto dalai
lama criou cargo de Panchen-lama, que reside no mosteiro de
T-shi-lhum-po e que foi visto como uma encarnação do Amitabha .
Referências
- ↑ http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNLVI.11.php
- ↑ http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNXLV.8.php
Bibliografia
- BARBEIRO, Heródoto. Buda: o mito e a realidade. São Paulo : Madras, 2005. ISBN 8537000256 .
- BAREAU, André - O Buda: Vida e Ensinamentos. Lisboa: Editorial Presença, 1997. ISBN 9722322052 .
- KEOWN, Damien - O Budismo. Lisboa: Temas e Debates, 2002. ISBN 9727594263
- SMITH, Huston; NOVAK, Philip. Budismo: uma introdução concisa. trad. Cláudio Blanck. São Paulo : Cultrix. ISBN 8531608457 .
Ver também
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