A Mesopotâmia
A Mesopotâmia é considerada o berço de civilização, já que foi naBaixa Mesopotâmia onde surgiram as primeiras civilizações por volta do
VI milênio a.C. As primeiras cidades foram o resultado culminante de
uma sedentarização da população e de uma revolução agrícola, que se
originou durante a Revolução Neolítica. O homem deixava de ser um
coletor que dependia da caça e dos recursos naturais oferecidos, uma
nova forma de domínio do ambiente é uma das causas possíveis da eclosão
urbana na Mesopotâmia.
A partir do III milênio cidades como Lagash, Umma, Kish, Ur, Uruk,
Gatium e a região do Elam se desenvolvem e a atividade comercial entre
eles se torna mais intensa. Os templos passam a gerir a economia e
muitos zigurates são construídos.
Porém, Richard Leakey, em seu livro A evolução da Humanidade,
relata como Jack Harlan demonstrou que coletores poderiam ter um
armazenamento de alimentos significativo: sua experiência se deu
utilizando uma foice de sílex colhendo trigo e cevada selvagens.
Portanto, as primeiras comunidades que abandonam o nomadismo poderiam
ser de caçadores-coletores não restringindo o sedentarismo unicamente à
agricultura ou a domesticação de animais, o que também se fez
importante nesse processo de urbanização.
O surgimento dos primeiros núcleos urbanos na região foi acompanhado
do desenvolvimento de um complexo sistema hidráulico que favorecia a
utilização dos pântanos, evitava inundações
e garantia o armazenamento de água para as estações mais secas.
Fazia-se necessária a construção dessas estruturas para manter algum
tipo de controle sobre o regime dos rios Tigre e Eufrates .
Esses rios gêmeos, em função do relevo que os envolve, correm de
noroeste para sudeste, num sentido oposto ao rio Nilo, sendo as
enchentes na Mesopotâmia muito mais violentas e sem uniformidade e a
regularidade apresentada pelo Nilo. " A recompensa - terra para lavrar, água para irrigar, tâmaras para colher e pastos para a criação - fixou o homem à terra"
(PINSKY, 1994) Somente o trabalho coletivo permitiu que se pudesse
dominar os rios, o homem que se afastava das cidades se afastava das
áreas irrigadas, pondo-se à margem desse processo.
Os mesopotâmicos não se caracterizavam pela construção de uma
unidade política. Entre eles, sempre predominaram os pequenos Estados,
que tinham nas cidades seu centro político, formando as chamadas cidades-Estados .
Cada uma delas controlava seu próprio território rural e pastoril e a
própria rede de irrigação. Tinham governo e burocracia próprios e eram
independentes. Mas, em algumas ocasiões, em função das guerras ou
alianças entre as cidades, surgiram os Estados maiores, sempre monárquicos ,
sendo o poder real caracterizado de origem divina. Porém, essas
alianças eram temporárias. Apesar de independentes politicamente, esses
pequenos Estados mesopotâmicos eram interdependentes na economia, o que
gerava um dinâmico processo de trocas. Segundo Pierre Lévêque "o Estado
mesopotâmico é, primeiro que tudo, uma cidade, à qual o príncipe está
ligado por estreitos laços; é igualmente uma dinastia, legitimação do
seu poder".
Os vestígios arqueológicos são limitados e por isso não se pode
definir como a organização política e social se dava exatamente dentro
de algumas dessas primeiras cidades. Uma das fontes de referência para
o estudo da Mesopotâmia, que não um dos documentos encontrados nas
escavações na região, é a bíblia. Nela se fazem referências as cidades
de Ur , Nínive e Babilônia . Muitas das histórias presentes no Antigo Testamento são possivelmente derivadas de tradições dessa região, por exemplo o dilúvio . Os autores da Antigüidade como Heródoto , Beroso, Estrabão e Eusébio também fazem referências à Mesopotâmia. Por isso ao estudar a Mesopotâmia
deve-se atentar para a construção de uma proto-história baseada em
evidências fragmentadas e esparsas, já que as escavações só se iniciam
a partir do século XIX, e ainda hoje muitas lacunas estão expostas.
A Mesopotâmia — nome grego que significa " entre rios " ( meso - pótamos ) - é uma região de interesse histórico e geográfico mundial. Trata-se de um planalto de origem vulcânica localizado no Oriente Médio , delimitado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates , ocupado pelo atual território do Iraque e terras próximas. Os rios desembocam no Golfo Pérsico e a região toda é rodeada por desertos .
Inserida na área do Crescente Fértil - de Lua crescente, exatamente por ela ter o formato de uma Lua crescente e de ter um solo fértil -, uma região do Oriente Médio excelente para a agricultura ,
exatamente num local onde a maior parte das terras vizinhas era muito
árida para qualquer cultivo, a Mesopotâmia tem duas regiões geográficas
distintas: ao Norte a Alta Mesopotâmia ou Assíria , uma região bastante montanhosa , desértica, desolada, com escassas pastagens , e ao Sul a Baixa Mesopotâmia ou Caldéia , muito fértil em função do regime dos rios, que nascem nas montanhas da Armênia e desaguam separadamente no Golfo Pérsico .
Povos
A Mesopotâmia foi uma região por onde passavam muitos povos nômades
oriundos de diversas regiões. A terra fértil fez com que alguns desses
povos aí se estabelecessem. Do convívio entre muitas dessas culturas
floresceram as sociedades mesopotâmicas. Os povos que ocuparam a
mesopotâmia foram os sumérios , os acádios , os amoritas ou antigos babilônios , os assírios , os elamitas e os caldeus ou novos babilônios .
Como raramente esses Estados atingiam grandes dimensões territoriais,
conclui-se que apesar da identificação econômica, social e cultural
entre essas civilizações, nunca houve um Estado mesopotâmico.
Sumérios e Acadianos (antes de 2000 a.C. )
Ver artigos principais: Sumérios , Acadianos .
Venerador mesopotâmico de 2.750-2.600 a.C.
Os sumérios foram provavelmente os primeiros a habitar o sul da Mesopotâmia. A região foi ocupada em 5000 a.C. pelo povo sumério , que ali construiu as primeiras cidades de que a humanidade tem conhecimento, como Ur , Uruk e Lagash . As cidades foram erigidas sobre colinas
e fortificadas para que pudessem ser defendidas da invasão de outros
povos que buscavam um melhor lugar para viver. Sua organização política
era semelhante a uma confederação de cidades-Estado, governadas por um
chefe religioso e militar que eram denominados patesi.
Como a maioria dos povos antigos, os sumérios eram politeístas.
Porém os deuses serviam mais para resolver problemas terrenos do que
solucionar os problemas que fazem parte após a morte. Cada cidade
sumérica tinha seu Deus "comandante". Na visão dos sumérios, os deuses
tinham comportamentos parecidos com o das pessoas, praticavam o bem e o
mal, e eram muito mais temidos do que amados.
Os Sumérios são conhecidos pelo desenvolvimento da escrita cuneiforme (assim chamada porque o registro era feito em placas de argila com auxílio de estilete que imprimia traços com forma de cunha (ferramenta) ) e desde o quarto milênio a.C., possuiam um complexo e completo sistema de controle da água dos rios. Realizavam obras de irrigação , barragens e diques, utilizavam também técnicas de metalurgia do bronze . Sua organização social influenciou muitos povos que os sucederam na região.
Após um período de domínio dos reis elamitas (viviam no sudoeste do atual Irã), os sumerianos voltaram a gozar de independência.
Grupos de nômades, vindos do deserto da Síria, começaram a penetrar
nos territórios ao norte das regiões sumerianas. Conhecidos como
acadianos, dominaram as cidades-estados da Suméria por volta de 2550 a.C.
Amoritas ( 2000 a.C. - 1750 a.C. )
Ver artigo principal: Amoritas
No início do segundo milênio a.C. , a região da Mesopotâmia constitui-se em um grande e unificado império que tinha como centro administrativo a cidade da Babilônia ,
situada nas margens do rio Eufrates. Os amoritas, povos semitas
proveniente da Arábia, edificaram o Primeiro Império Babilônico. Este
povo é conhecido também como "antigos babilônicos", o que os diferencia
dos caldeus, fundadores do Segundo Império Babilônico,denominados
NEOBABILÔNICOS.
O soberano que mais se destacou foi Hamurabi (1728 a 1686), elaborando leis que ficaram conhecidas como Código de Hamurabi , que tinha como base um código sumeriano " Ur-nammu". O " Código de Hamurabi ". O caratér das leis que constituíam o Código de Hamurabi era bastante severo - a pena era equivalente à falta cometida.
Se um filho agredisse um pai, teria as mãos decepadas. Caso um
médico perdesse seu paciente, responderia pelos seus erros, tendo
também as mãos decepadas. Dessa forma,pode-se dizer que as leis deste
governantes se baseavam no príncipio do olho por olho, dente por dente.
Apresenta uma série de penas para delitos domésticos, comerciais,
ligados à propriedade, à herança, à escravidão e a falsas acusações,
sempre baseadas na Lei de Talião("Olho por olho, dente por dente").
Após sua morte, a Mesopotâmia foi abalada por sucessivas invasões, até
a chegada dos assírios.
Desenvolveram um preciso relógio de sol.
Assírios ( 1300 a.C. - 612 a.C. )
Ver artigo principal: Assírios
De origem semita , os assírios
viviam do pastoreio e habitavam as margens do rio Tigre. A partir do
final do segundo milênio a.C., passaram a se organizar como sociedade
altamente militar e expansionista. Realizaram diversas conquistas e
expandiram seu domínio para além da própria Mesopotâmia, chegando ao Egito . O centro administrativo do império assírio era Nínive , onde foi feita a biblioteca real de Assurbanípal , com mais de 22 mil placas de argila.
O exército assírio era um dos mais notáveis da Antigüidade ,
fato que proporcionou aos assírios o poder de conquistar diversos
territórios. A cada território o exército aumentava ainda mais por
causa do alistamento obrigatório que esses implementaram. Alguns
historiadores acreditam que os assírios pudessem colocar até 100 mil
soldados em campo..
Mesmo com o exército, o império nao conseguiu se sustentar em grande
parte pelo fato de que a maioria da população do império nao gostava do
regime militar e muitas vezes cruel ao qual estavam submissas. Um dos
reis que mais se destacou foi Assurbanípal .
Caldeus ( 612 a.C. - 539 a.C. )
Ver artigo principal: Caldeios
Povo de origem semita que se estabeleceu na Mesopotâmia no início do
primeiro milênio a.C., os caldeus foram os principais responsáveis pela
derrota dos assírios (pois, junto com os medos , saquearam Nívine[ carece de fontes ?]) e pela organização do novo império babilônico. Nabucodonosor
foi o soberano mais conhecido dos caldeus. Famoso pela construção dos
Jardins Suspensos da Babilônia e da Torre de Babel, governou por quase
sessenta anos e após sua morte os persas dominaram o novo império
babilônico.
O Império dos caldeus durou pouco, 73 anos, pois foi incorporado ao Império Persa .
Economia e sociedade
Em linhas gerais pode-se dizer que a forma de produção predominante
na Mesopotâmia baseou-se na propriedade coletiva das terras
administrada pelos templos e palácios .
Os indivíduos só usufruíam da terra enquanto membros dessas
comunidades. Acredita-se que quase todos os meios de produção estavam
sobre o controle do déspota , personificação do Estado, e dos templos .
O templo era o centro que recebia toda a produção, distribuindo-a de
acordo com as necessidades, além de proprietário de boa parte das
terras: é o que se denomina cidade-templo .
Estudos recentes mostram que, além do setor da economia dos templos
e do palácio, havia um setor privado que participava, também, da
economia da cidade-estado.
Administradas por uma corporação de sacerdotes, as terras, que teoricamente eram dos deuses, eram entregues aos camponeses . Cada família recebia um lote de terra e devia entregar ao templo uma parte da colheita como pagamento pelo uso útil da terra. Já as propriedades particulares eram cultivadas por assalariados ou arrendatários .
Entre os sumerianos havia a escravidão , porém o número de escravos era relativamente pequeno.
Em contraste com as cheias regulares e benéficas do Nilo, o fluxo das águas dos rios Tigre e Eufrates, ao subir à Leste pelos Montes Tauro ,
é irregular e imprevisível, produzindo condições de seca em um ano e
inundações violentas e destrutivas em outro. Para manter algum tipo de
controle, fazia-se necessário a construção de açudes e canais ,
além de complexa organização. A construção dessas estruturas também era
dirigida pelo Estado. O controle dos rios exigia numerosíssima mão-de-obra , que o governo recrutava, organizava e controlava. As principais atividades econômicas da Mesopotâmia eram:
- A Agricultura. Era base da Economia. A economia da Baixa
Mesopotâmia, em meados do terceiro milênio a.C., baseava-se na
agricultura de irrigação. Cultivavam trigo , cevada , linho , gergelim ( sésamo , de onde extraiam o azeite para alimentação e iluminação), árvores frutíferas, raízes e legumes . Os instrumentos de trabalho eram rudimentares, em geral de pedra , madeira e barro . O bronze
foi introduzido na segunda metade do terceiro milênio a.C., porem, a
verdadeira revolução ocorreu com a sua utilização, isto já no final do
segundo milênio antes da Era Cristã. Usavam o arado semeador , a grade e carros de roda ; - A Criação de Animais. A criação de carneiros , burros , bois , gansos e patos era bastante desenvolvida;
- O Comércio .
Os comerciantes eram funcionários a serviço dos templos e do palácio.
Apesar disso, podiam fazer negócios por conta própria. A situação
geográfica e a pobreza de matérias primas favoreceram os empreendimentos mercantis. As caravanas de mercadores iam vender seus produtos e buscar o marfim da Índia , a madeira do Líbano , o cobre de Chipre e o estanho de Cáucaso . Exportavam tecidos de linho , lã e tapetes , além de pedras preciosas e perfumes . As transações comerciais eram feitas na base de troca, criando um padrão de troca inicialmente representado pela cevada e depois pelos metais que circulavam sobre as mais diversas formas, sem jamais atingir, no entanto, a forma de moeda .
A existência de um comércio muito intenso deu origem a uma organização
economia sólida, que realizava operações como empréstimos a juros , corretagem e sociedades em negócios. Usavam recibos , escrituras e cartas de crédito .
O comércio foi uma figura importante na sociedade mesopotâmica, e o
fortalecimento do grupo mercantil provocou mudanças significativas, que
acabaram por influenciar na desagregação da forma de produção
templário-palaciana dominante na Mesopotâmia.
As principais ciências estudadas foram:
- A Astronomia .
Entre os babilônicos, foi a principal ciência. Notáveis eram os
conhecimentos dos sacerdotes no campo da astronomia, muito ligada e
mesmo subordinada a astrologia. As torres dos templos serviam de
observatórios astronômicos. Conheciam as diferenças entre os planetas e
as estrelas e sabiam prever eclipses lunares e solares. Dividiram o ano
em meses, os meses em semanas, as semanas em sete dias, os dias em doze
horas, as horas em sessenta minutos e os minutos em sessenta segundos.
Os elementos da astronomia elaborada pelos mesopotâmicos serviram de
base à astronomia dos gregos, dos árabes e deram origem à astronomia
dos europeus;
- A Matemática .
Entre os caldeus, alcançou grande progresso. As necessidades do dia-a
dia levaram a um certo desenvolvimento da matemática.Os mesopotâmicos
usavam um sistema matemático sexagesimal (baseado no número 60). Eles
conheciam os resultados das multiplicações e divisões, raízes quadradas
e raíz cúbica e equações do segundo grau. Os matemáticos indicavam os
passos a serem seguidos nessas operações, através da multiplicação dos
exemplos. Jamais divulgaram as formulas dessas operações, o que
tornaria as repetições dos exemplos desnecessárias. Também dividiram o
círculo em 360 graus, elaboraram tábuas correspondentes às tábuas dos
logarítimos atuais e inventaram medidas de comprimento, superfície e capacidade de peso ;
- A Medicina .
Os progressos da medicina foram grandes (catalogação das plantas
medicinais, por exemplo. Assim como o direito e a matemática, a
medicina estava ligada a adivinhação. Contudo, a medicina não era
confundida com a simples magia. Os médicos da Mesopotâmia, cuja
profissão era bastante considerada, não acreditavam que todos os males
tinham origem sobrenatural, já que utilizavam medicamentos à base de
plantas e faziam tratamentos cirúrgicos. Geralmente, o medico
trabalhava junto com um exorcista, para expulsar os demônios, e
recorria aos adivinhos, para diagnosticar os males.
Letras
Escrita cuneiforme gravada numa escultura do século XXII a.C. ( Museu do Louvre , Paris ). A linguagem escrita é resultado da necessidade humana de garantir a comunicação e o desenvolvimento da técnica.
Escrita
A escrita cuneiforme ,
grande realização sumeriana, usada pelos sírios, hebreus e persas,
surgiu ligada às necessidades de contabilização dos templos. Era uma
escrita ideográfica ,
na qual o objeto representado expressava uma idéia. Os sumérios - e,
mais tarde os babilônicos e os assírios, que falavam acadiano - fizeram
uso extensivo da escrita cuneiforme. Mais tarde, os sacerdotes e
escribas começaram a utilizar uma escrita convencional, que não tinha
nenhuma relação com o objeto representado. As convenções eram
conhecidas por eles, os encarregados da linguagem culta, e procuravam
representar os sons da fala humana, isto é, cada sinal representava um som. Surgia assim a escrita fonética ,
que pelo menos no segundo milênio a.C., já era utilizado nos registros
de contabilidade, rituais mágicos e textos religiosos. Quem decifrou a
escrita cuneiforme foi Henry C. Rawlinson . A chave dessa façanha ele obteve nas inscrições da Rocha de Behistun , na qual estava gravada uma gigantesca mensagem de 20 metros de comprimento por 7 de altura .
A mensagem fora talhada na pedra pelo rei Dario, e Rawlinson
identificou três tipos diferentes de escrita (antigo persa, elamita e
acádio - também chamado de assírio ou babilônico). O alemão Georg Friederich Grotefend e o francês Jules Oppent também se destacaram nos estudos da escrita sumeriana.
Literatura
Era pobre. A que foi encontrada é uma literatura a serviço do poder
do Estado, da religião e dos negócios. Há, crônicas sobre os feitos dos
governantes e dos deuses, hinos, fábulas, versos, além de anotações de
comerciantes. Tudo isso encontra-se registrado em tábuas de argila, em
escritas cuneiforme, assim denominada porque seus caractere têm forma
de cunha. Destacam-se apenas o Mito da Criação e a Epopéia de Guilgamesh - aventura de amor e coragem desse herói deus, cujo objetivo era conhecer o amor da imortalidade.
Uma inscrição do Código de Hamurabi.
Direito
O Código de Hamurabi , até pouco tempo o primeiro código
de leis que se tinha notícia, é uma compilação de leis sumerianas
mescladas com tradições semitas. Ele apresenta uma diversidade de
procedimentos jurídicos e determinação de penas para uma vasta gama de crimes . Contém 282 leis , abrangendo praticamente todos os aspectos da vida babilônica, passando pelo comércio, propriedade , herança , direitos da mulher , família , adultério , falsas acusações e escravidão. Suas principais características são: Pena ou Lei de Talião ,
isto é, “olho por olho, dente por dente” (o castigo do criminoso
deveria ser exatamente proporcional ao crime por ele cometido),
desigualdade perante a lei (as punições variavam de acordo com a
posição social da vitima e do infrator), divisão da sociedade em
classes (os homens livres, os escravos e um grupo intermediário pouco
conhecido – os mushkhinum )
e igualdade de filiação na distribuição da herança. O Código de
Hamurábi reflete a preocupação em disciplinar a vida econômica
(controle dos preços, organização dos artesãos, etc.) e garantir o
regime de propriedade privada da terra. Os textos jurídicos
mesopotâmicos invocavam os deuses da justiça, os mesmos da adivinhação,
que decretavam as leis e presidiam os julgamentos.
Anterior ao Código de Hamurábi, tem-se o Código de Ur-Nammu , descoberto em 1952 pelo assiriólogo e professor Samuel Noah Kromer .
Artes
Ver artigos principais: Arte da Mesopotâmia , Arte suméria , arte assíria e arte babilónica .
- A Arquitetura .
A mais desenvolvida das artes , porém não era tão notável quanto a
egípcia. Caracterizou-se pelo exibicionismo e pelo luxo. Construíram
templos e palácios, que eram considerados cópias dos existentes nos
céus, de tijolos , por ser escassa a pedra na região;. O zigurate ,
torre piramidial, de base retangular, composto de vários pisos
superpostos, formadas por sucessivos andares, cada um menor que o
anterior. Construção característica das cidades-estados sumerianos. Nas
construções, empregavam argilas, ladrilhos e tijolos. Provavelmente só
os sacerdotes tinham acesso à torre, que tanto podia ser um santuário,
como um local de observações astrônomicas.
As muralhas construidas por Nabucodonosor eram tão largas, que sobre
elas realizavam-se corridas de carros. Mais famosas foi as portas, cada
uma dedicada a uma divindades e ornamentadas com grandes figuras em
relevo. O caminho das procissões e a porta azul de Ishatar(deusa do
amor e da fertilidade) eram decorados com figuras em cerâmicas
esmaltada. A porta encontra-se no Museu de Berlim, mas suas cores
desaparecem.
- Escultura e a pintura . Tanto a escultura quanto a pintura eram fundamentalmente decorativas. A escultura era pobre, representada pelo baixo relevo . Destacava-se a estatuária assíria, gigantesca e original. Os relevos do palácio de Assurbanipal são obras de artistas excepcionais. A pintura mural existia em função da arquitetura.
Um dos raros testemunhos da pintura mesopotâmica foi encontrados no
Pálacio de Mari, descoberto entre 1933 e 1955. Embora as tintas
utilizadas fossem extremamente vulneráveis ao tempo, nos poucos
fragmentos que restaram é possível perceber o seu brilho e vivacidade.
Seus artistas possuíam uma técnica talvez superior à que lhes era
permitido demonstrar.
"Leis da frontalidade"
Como era preciso colocar figuras tridimensionais, em uma superficíe
bidimensional, a imagem sofria um rígido processo de distorção: onde a
cabeça, pernas e pés eram representados de perfil e o busto de frente.
Música e dança
A música na Mesopotâmia, principalmente entre os babilônicos, estava ligada à religião .
Quando os fiéis estavam reunidos, cantavam hinos em louvor dos
deuses, com acompanhamento de música. Esses hinos começavam muitas
vezes, pelas expressões: " Glória, louvor tal deus; quero cantar os
louvores de tal deus", seguindo a enumeração de suas qualidades, de
socorro que dele pode esperar o fiel.
Nas cerimônias de penitência ,
os hinos eram de lamentação: "aí de nós", exclamavam eles, relembrando
os sofrimentos de tal ou qual deus ou apiedando-se das desditas que
desabam sobre a cidade. Instrumentos sem dúvida de sons surdos,
acompanhavam essa recitação e no corpo desses salmos, vê-se o texto
interromper-se e as onomatopéias "ua", "ui", "ua", sucederem-se em toda
uma linha. A massa dos fiéis devia interromper a recitação e não
retomá-la senão quando todos, em coro tivessem gemido bastante.
A procissão, finalmente, muitas vezes acompanhava as cerimônias
religiosas e mesmo as cerimônias civis. Sobre um baixo-relevo assírio
do British Museum que representa a tomada da cidade de Madaktu
em Elam, a população sai da cidade e se apresenta diante do vencedor,
precedida de música, enquanto as mulheres do cortejo batem palmas à
oriental para compassar a marcha.
O canto também tinha ligações com a magia .
Há cantos a favor ou contra um nascimento feliz, cantos de amor, de
ódio, de guerra, cantos de caça, de evocação dos mortos, cantos para
favorecer, entre os viajantes, o estado de transe .
A dança ,
que é o gesto, o ato reforçado, se apóia em magia sobre leis da
semelhança. Ela é mímica, aplica-se a todas as coisas:- há danças para
fazer chover, para guerra , de caça , de amor etc.
Danças rituais têm sido representadas em monumentos da Ásia Ocidental, Suméria . Em Thecheme-Ali , perto de Teerã ; em Tepe-Sialk , perto de Kashan ; em Tepe-Mussian , região de Susa ,
cacos arcaicos reproduzem filas de mulheres nuas, dando-se as mãos,
cabelos ao vento, executando uma dança. Em cilindros-sinetes vêem-se
danças no curso dos festins sagrados (tumbas reais de Ur ).
Religião
Lista de deuses em língua suméria a partir da Escrita cuneiforme no século XXIV a.C.
Os deuses, extremamente numerosos, eram representados à imagem e
semelhança dos seres humanos. O sol, a lua, os rios, outros elementos
da natureza e entidades sobrenaturais, também eram cultuados. Embora
cada cidade possuísse seu próprio deus, havia entre os sumérios algumas
divindades aceitas por todos. Na Mesopotâmia, os deuses representavam o
bem e o mal, tanto que adotavam castigos contra quem não cumpria com as
obrigações.
O centro da civilização sumeriana era o templo, a casa dos deuses
que governava a cidade, além de centro da acumulação de riqueza. Ao
redor do templo desenvolvia-se a atividade comercial. O sacerdote
representava o deus e combinava poderes políticos e religiosos.
Apenas ao sacerdote era permitida a entrada no templo e dele era a
total responsabilidade de cuidar da adoração aos deuses e fazer com que
atendessem as necessidades da comunidade. Os sacerdotes do templo
estavam livres dos trabalhos nos campos, dirigiriam os trabalhos de
construção de canais de irrigação, reservatórios e diques. O deus
através dos sacerdotes emprestava aos camponeses animais, sementes,
arados e arrendava os campos. Ao pagar o “empréstimo”, o devedor
acrescentava a ele uma “oferenda” de agradecimento. Com a necessidade
de controlar os bens doados aos deuses e prestar contas da
administração das riquezas do templo iniciou-se o sistema de contagem e
a escrita cuneiforme. Como exemplo do poder dos deuses em Lagash, o
campo era repartido nas posses de aproximadamente 20 divindades, uma
destas, Baú, possui cerca de 3250 hectares, das quais três quartos
atribuídos, um em lotes, as famílias singulares, um quarto cultivado
por assalariados, por arrendatários (que pagam um sétimo ou um oitavo
do produto) ou pelo trabalho gratuito dos outros camponeses. Em seu
templo trabalham 21 padeiros auxiliados por 27 escravas, 25 cervejeiros
com 6 escravos, 4 mulheres encarregadas do preparo da lã, fiandeiras,
tecelãs, um ferreiro, alem dos funcionários, dos escribas e dos
sacerdotes.
A concepção de uma vida além-túmulo era confusa. Acreditavam que os
mortos iam para junto de Nergal, o deus que guardava um reino de onde
não se poderia voltar.
Soberanos clássicos
Esta é uma lista de reis e soberanos da Mesopotâmia na Antigüidade , incluindo babilônios, assírios, sumérios, acádios e outros que se revezaram no poder sobre a região:
- Nabucodonosor III (século VI a.C.)
- Domínio Persa (539-? a.C.)
- Baltazar (548-539 a.C.)
- Nabonaid (555-548 a.C.)
- Nabonidus (562-555 a.C.)
- Nergal-shar-usur (559-556 ????)
- Amel-Marduk (562-559 ????)
- Nabucodonosor II (605-562 a.C.)
- Nabopolasar , caldeu (626-605 a.C.)
- Assurbanipal I (668-626 a.C.)
- Senaq (669-668 a.C.)
- Assar Haddon (681-669 a.C.)
- Senaqueribe (705-681 a.C.)
- Sargão II (722-705 a.C.)
- Salmanasar V (727-722 a.C.)
- Tiglate-Pileser III (745-727 a.C.)
- Adadnirári III (803-782 a.C.)
- Semirâmide (810-803 a.C.)
- Salmanasar III (858-823 a.C.)
- Assurnazirpal II (883-858 a.C.)
- Tiglate-Pileser II (956-934 a.C.)
- Assurdan II (c. 1000 a.C.)
- Tiglate-Pileser I , assírio (1116-1078 a.C.)
- Enlil-nadin-apli , babilônio (1123-1116 a.C.)
- Nabucodonosor I , babilônio (1146-1123 a.C.)
- Ninurta-nadin-shumi , babilônio (1152-1146 a.C.)
- Marduk-shapir-zer , babilônio (1170-1152 a.C.)
- Enlil-nadin-ahe , babilônio (1173-1170 a.C.)
- Zabada-sum-Iddin , babilônio (1174-1173 a.C.)
- Marduk-Baladan I , babilônio (1187-1174 a.C.)
- Melishipah II , babilônio (1202-1187 a.C.)
- Assur-nadim-apli (1217- ? a.C.)
- Tiglate-Ninurta I (1245-1217 a.C.)
- Salmanasar I (1275-1245 a.C.)
- Adadnirári I (1307-1275 a.C.)
- Assurbalit I (1366-1330 a.C.)
- Samsi-Adad III (1697-1683 a.C.)
- Hamurabi II , babilônio (1728-1686 a.C.)
- Hamurabi I , babilônio (1792-1750 a.C.)
- Sargão da Assíria (1800-1792 a.C.)
- 4º rei
- 3º rei
- 2º rei
- Sumuabum (1894-1881 a.C.)
- Puzur-Assur , assírio (2134- ? a.C.)
- Sargão I , acádio (2350-2300 a.C.)
- Rúmius , acádio (2529-2515 a.C.)
- Sargão, o Antigo (2584-2529 a.C.)
- Lugalzaggisi (2600-2584 a.C.)
- Gilgamesh , mitológico (c. 2600 a.C.)
Cronologia dos principais eventos
- 6000-5000 a.C.
- Invenção do arado .
- 5000 a.C.
- Primeiras aldeias .
- Cultivo de cereais .
- Cerâmica .
- 3000 a.C.
- Idade do Bronze .
- Civilização suméria.
- Primeiras cidades.
- Foram criados a escrita e o sistema de numeração.
- 2500 a.C.
- Sargão I de Acádia unifica a Mesopotâmia
- 2000 a.C.
- Primeira civilização assíria.
- Invasão dos hititas.
- 1900-1200 a.C.
- Primeiro império babilônico.
- Reino de Hamurabi .
- Código de Hamurabi .
- 1290 a.C.
- Êxodo hebreu do Egito ( Moisés ).
- 1200 a.C.
- Fim do reino babilônico e dominação assíria na Mesopotâmia.
- 1100 a.C.
- Destruição do Império Hitita .
- Nabucodonosor da Babilônia unifica o reino.
- Segundo Império Babilônico.
- Nasce o reino de Israel .
- 700 a.C.
- Reino dos medos.
- 600 a.C.
- Na Babilônia: Reino de Nabucodonosor II .
- 550-470 a.C.
- Ciro, o Grande , conquista Ecbatana , capital dos medos , e a Babilônia .
- Início do reinado persa.
- 470 a.C.
- Alexandre Magno derrota os persas e conquista a Mesopotâmia.
Personalidades históricas da Mesopotâmia
- Assaradão
- Assurbanipal
- Hamurabi
- Marduk
- Nabucodonosor II
- Sargão
- Semiramis
- Tiglat-Piléser III
Cidades e regiões históricas da Mesopotâmia
- Acádia
- Assíria
- Assur
- Babilônia
- Caldéia
- Kish
- Lagash
- Nimrod
- Nínive
- Nippur
- Samara
- Suméria
- Umma
- Ur
- Uruk
